Fenômenos
Espíritas* |
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1. Apresentação As escolas antropológica e sociológica, ao considerarem os fatores mais importantes na gênese das religiões, deixaram de lado exatamente aqueles que, pelo seu caráter singular, maior influência tiveram no evolver da Humanidade. Esses foram, sem dúvida, os FENÔMENOS ESPÍRITAS E ANÍMICOS, abundantemente registrados nos livros sagrados das religiões por diferentes povos, em diversas épocas. As lendas, as tradições históricas e as crenças religiosas atestam a realidade da sobrevivência da alma, após a morte; basta que os analise com cuidado e sem idéias preconcebidas. Realizando uma análise comparada dos usos e costumes desde os pródromos dos selvagens mais primitivos até os das sociedades modernas, verifica-se que todos foram impressionados pelos fenômenos provenientes do Espírito. De todos os fatos, porém, os mais notáveis e que contribuíram, efetivamente, para firmar a crença na sobrevivência da alma, sem dúvida, foram aqueles captados pelos sentidos (APARIÇÕES DE ESPÍRITOS, MATERIALIZAÇÕES, TRANSPORTES DE OBJETOS etc), que suscitaram, ao mesmo tempo, admiração e temor, despertando na consciência do homem a curiosidade de conhecer mais a respeito de si mesmo. Selecionando fenômenos que têm despertado o interesse de pesquisadores, mas que não foram até então, suficientemente observados, CARLOS BERNARDO LOUREIRO elaborou a presente monografia em que condensa estudos sobre a FENOMENOLOGIA ESPÍRITA E ANÍMICA, baseados em experiências realizadas por cientistas idôneos, cujas conclusões não podem ser desprezadas. Trata-se dos fenômenos menos conhecidos e menos estudados nas instituições espíritas, embora haja uma vasta bibliografia que explora o assunto. São FENÔMENOS considerados EXCEPCIONAIS, como: a LEVITAÇÃO, a PSICOMETRIA, a PRECOGNIÇÃO e outros. Enfim, CARLOS BERNARDO LOUREIRO demonstra, com este trabalho, que, no campo do EXPERIMENTALISMO ESPÍRITA E ANÍMICO há elementos de sobra para confundir e eclipsar os dogmas e os preconceitos da ciência oficial que tudo faz para ridicularizar a DOUTRINA ESPÍRITA. Salvador, outubro de 1992 Lúcia Loureiro
2. À Guisa de Introdução "O inconsciente produz, arquiteta, elabora, inventa, prevê, descobre, resolve, adivinha. É um propulsor incansável; não há para ele dificuldades, empecilhos, barreiras, desconhecimentos. É onímodo, é onisciente, é onipotente, dali sai o que nunca entrou. Ele tira do nada". Carlos Imbassahy Na belíssima obra a que deu o título de "L'INCONSCIENT AU CONSCIENT", demonstra o DR. GUSTAVE GELEY, que não encontrou, após inúmeras pesquisas, qualquer correspondência em leis fisiológicas para o INCONSCIENTE e o CONSCIENTE. Conclui que ambos não partem de neurônios, de células nervosas, mas de "ALGO" que escapa à análise de laboratórios químicos e físicos e ao escalpelo dos cirurgiões... A história do INCONSIENTE e do CONSCIENTE é longa e se enraíza em passado distante. SÓCRATES dispunha, v.g., de um INCONSCIENTE DE FÔLEGO: a sua alma racional, segundo o ARCONTE PLUTARCO (ÓPERA MORALIA). O ORÁCULO DE TROFÔNIO (CONSTRUTOR DO FORMOSO TEMPLO DE APOLO, em DELFOS), dizia que era uma alma diferente das almas comuns que acompanhava SÓCRATES. PORFIRO, da escola aristocrática de PLATÃO, estudando os transes inconscientes dos PÍTONS E PROFETAS (MÉDIUNS), expõe uma teoria que parece ter sido copiada por GRASSET, CHARCOT e JANET (AUTOMATISMO PSICOLÓGICO): "a causa do êxtase poderia ser muito bem afecção mental ou loucura patológica, produzidas por superexcitação psíquica semelhante à das vigílias prolongadas ou dos excitantes farmacêuticos" (!) E tanto para o INCONSCIENTE como para o CONSCIENTE, há uma série de variações terminológicas: "CONSCIÊNCIA SUBLIMINAR", "CRIPTOPSÍQUICA", "CRIPTOMNESIA", "TELESTESIA", "METAGNOMIA" E QUEJANDOS. Chegou-se a dizer - disse-o HIPPOLYTE TAINE - autor da obra "SOBRE A INTELIGËNCIA", que o PENSAMENTO (FACULDADE DA ALMA) é uma secreção do cérebro. Seguiu-se-lhe as torturas pegadas KARL VOGT, para quem a "atividade espiritual é uma função fisiológica, governada por fenômenos meânicos". Mas, dentre os fisiologistas destaca-se a figura respeitável de CLAUDE BERNARD, que afirmou, após dedicar-se uma vida, à análise das funções do cérebro: "O MECANISMO DO PENSAMENTO É-NOS DESCONHECIDO. O CÉREBRO NÃO É O AUTOR DO PENSAMENTO, MAS APENAS O SEU INSTRUMENTO". CAMILLE FLAMARION, o grande astrônomo francês, lança, a propósito, um desafio ("A MORTE E SEUS MISTÉRIOS"): "ONDE ESTÃO, AFINAL, AS CÉLULAS NERVOSAS QUE SÃO A SEDE DO PENSAMENTO?" (grifos nossos). Esta prístina indagação vem desde os tempos heróicos do ilustre anatomista italiano MARCELO MALPIGHI, que foi um dos primeiros pesquisadores a utilizar o microscópio para o estudo dos tecidos. Enquanto isso, o DR. CHARLES RICHET (Prêmio Nobel de Medicina de 1913) assevera em seu livro: "L'AVENIR DE LA PSYCOLOGIE": "QUE IMPORTA AO FISIOLOGISTA TODA ESSA EXTRAORDINÁRIA COMPLEXIDADE DE CÉLULAS NERVOSAS, COM SUAS DENTRITES, ARBORESCÊNCIAS, RAMIFICAÇÕES, CORPÚSCULOS, SE ELE NÃO SABE QUAL PE O USO DESTAS PARTES?" E, EM "LA GRANDE ESPÉRANCE: "MIEUX VANT RECONNAITRE FRANCHEMENT QUE NOS M´Y COMPRENOS RIEN (MAIS VALE RECONHECER FRANCAMENTE QUE NÃO COMPREENDEMOS NADA DISSO") Voltemos à questão do CONSCIENTE e do INCONSCIENTE, este objeto de profundas preocupações por parte dos psiquistas O DR. CARLOS IMBASSAHY, autor de várias e consagradas obras, entre as quais desponta uma sob o título: "FRUED E AS MANIFESTAÇÕES DA ALMA" (Editora Eco), assim se manifesta sobre o Inconsciente: "O INCONSCIENTE TORNOU-SE, NO LABORATÓRIO DA PSICANÁLISE, PSICÓLOGOS E ATÉ PARAPSICÓLOGOS, UM RECIPIENTE MÁGICO. DALI SAEM PRODÍGIOS, ALI SE RESOLVEM MISTÉRIOS, ALI SE PROCESSAM AS MAIORES COMPLICAÇÕES, SOLUCIONAM-SE QUESTÕES INTRINCADAS, MATAM-SE CHARADAS PSÍQUICAS". E arremata: "O INCONSCIENTE PRODUZ, ARQUITETA, ELABORA, INVENTA, PREVÊ, DESCOBRE, RESOLVE, ADIVINHA. É UM PROPULSOR INCANSÁVEL; NÃO HÁ PARA ELE DIFICULDADES, EMPECILHOS, BARREIRAS, DESCONHECIMENTOS, É ONÍMODO, É ONISCIENTE, É ONIPOTENTE. DALI SAI O QUE NUNCA ENTROU. ELE TIRA DO NADA." De fato. E o que causa espécie é que esse INCONSCIENTE é uma abstração! "Nada se sabe a seu respeito, senão por seus misterioros predicados", acrescenta o autor de "O PODER FANTÁSTICO DA MENTE", em parceria com o confrade NAZARENO TOURINHO. Diria, a propósito, o DR. JORGE ANDRÉA, no "caput" do trabalho inserido no V volume dos "ANAIS DO INSTITUTO DE CULTURA ESPÍRITA DO BRASIL", 1983: A nossa organização psíquica está subordinada a um grande número de estruturas dinâmicas de difícil abordagem pelos métodos atuais da ciência. A complexidade se torna cada vez mais efetiva quando tentamos penetrar a zona interna desse PSIQUISMO, conhecido como a zona do INCONSCIENTE"... Retornando ainda às considerações do DR. CARLOS IMBASSAHY, no livro antecipado, eis como ele define a PSICANÁLISE, que tem como fundamento os mecanismos da "ZONA INTERNA DA ORGANIZAÇÃO PSÍQUICA": "A PSICANÁLISE não conhecendo as vidas pregressas, não passou da fase que começa no ventre materno; daí as suas proposições inverificáveis, comumente absurdas e somente aceitáveis, dada a sugestitilidade dos nossos psicólogos, prontos a aceitarem qualquer fantasmagoria desde que tome um aspecto complicado, tenha um fundo nebuloso, seja insusceptível de demonstração e se torne incompreensível ao vulgo, o que lhes dá a eles, psicólogos, grande superioridade, vista irem onde ninguém vai, alcançarem o que ninguém alcança, perceberem o que ninguém percebe, fora os seus pares, aliás nem sempre de acordo". O PROF. LEOPOLDO MACHADO, conterrâneo do DR. CARLOS IMBASSAHY, em seu livro (hoje raríssimo) "CIENTISMO E ESPIRITISMO", trata, no capítulo XX, da PSICANÁLISE: "COMECEMOS A ANALISAR, À LUZ BELA E FORTE DA DOUTRINA ESPÍRITA, A MAIOR PANACÉIA CIENTÍFICA QUE TEM EXISTIDO ATRAVÉS DE TODOS OS TEMPOS ENTRE AS CAMADAS QUE SE PRESUMEM CIENTISTAS DE VERDADE: A PSICANÁLISE!" E mais adiante: "O homem, com o seu universo psicológico interior, mísero e orgulhoso microcosmo, foi o que mais sofreu, espremido nas tenazes psicanalítiacs. Deixou de ter alma, de possuir faculdades de pensar, sentir e amar, capazes de receber influências de fora, do ambiente que se agita livre, para ser um títere perfeito das funções de suas flândulas, de seus neurônios, de sua libido ou de seus órgãos sexuais. Perde o raciocínio e a consciência, que derivam apenas do funcionamento das vísceras, dos órgãos genitais e das glândulas. E lá se vai por água abaixo a grandeza humana, o orgulho humano, a inteligência humana, porque a psicanálise reduz o homem à pior das feras, ao mais ínfimo dos animais^. Evoquemos, agora, o DR. SÉRGIO VALLE, ilustre autor da obra "silva mello e os seus mistérios" (1a. edição LAKE), que assim considera o "PAI DA PSICANÁLISE": "PARA FREUD TUDO É LIBIDO. É EROTISMO, TUDO É SEXUALIDADE EM LATÊNCIA OU MANIFESTA, MAMADA NO SEIO MATERNO E VISÍVEL NAS ALÇAS DO CAIXÃO". "Para ajustar tudo à sua teste" - prossegue o DR. SÉRGIO VALLE - "FREUD generaliza e reduz os vultos máximos da História (NAPOLEÃO, GOETHE, LEONARDO DA VINCI, BISMARC etc), às neuróticas vítimas do pansexualismo (como, aliás, toda a humanidade): são pervertidos, incestuosos, disputando com os próprios pais a posse da mesma fêmea, como qualquer irracional. Por que? Porque assim o decretou uma doutrina para a qual a Arte, A Cultura, a Religião, tudo é produto de instintos recalcados". E conclui: "FREUD foi seis vezes pai, isto é, três vezes presenciou o COMPLEXO DE ÉDIPO, em que, ele próprio representou o papel saliente; três vezes atestou a existência não menos interessante do COMPLETO DE ELECTRA, de que participou sua esposa. Em todas as seis vezes, o criador da PSICANÁLISE se enriqueceu de novas experiências, ratificadoras de sua doutrina". Diria, então, o autor de "A PSICOPATOLOGIA DA VIDA DIÁRIA" (THE PSYCOPATHOLOGY OF EVERYDAY LIFE - 1904): "Nenhum instinto de aperfeiçoamento existe no homem"(!)... Concluímos os nossos arrazoados ainda apelando para as lúcidas e coerentes ponderações do DR. CARLOS IMBASSAHY, que no livro inicialmente citado, enfatiza: "Não pode o INSCONSCIENTE PRODUZIR as energias que lhe emprestam. Não podemos ver nele as forças impulsoras, os vórtices energéticos, os impulsos volitivos, as fontes de idéias, o surto criador, a faculdade inventiva, os estos da inspiração, atributos todos que lhe fornecem de mão beijada, que lhe outorgam gratuita e generosamente, sem espera de recompensa. "MAS ESSES ATRIBUTOS SÃO DO ESPÍRITO QUANDO MUITO ELE VAI BUSCAR A BAGAGEM QUE TRAZ CONSIGO GUARDADA NOS ESCANINHOS DO SER, E COM SEU AUXÍLIO PRODUZ AQUILO QUE ADMIRA". E prossegue: "TODA A ENERGIA, PORÉM, É DO ESPÍRITO, PORQUE NELE E COM ELE É QUE ESTÁ A VIDA, E COM ELA O SER INTELECTUAL, EMOTIVO, VOLITIVO; O SER IMPENETRÁVEL, POSTO NO MUNDO PARA OS EFEITOS DE SUA EVOLUÇÃO, NO ATRITO DA NATUREZA E NO CONVÍCIO COM SEUS SEMELHANTES. "PARTE DE SUA MEMÓRIA, POR DESNECESSÁRIA, FICA NOS ESCANINHOS DE QUE JÁ FALAMOS, E QUE CONSTITUEM O SUBCONSCIENTE, AS ESTRUTURAS INFERIORES, O SUBLIMINAL"... E finaliza imbuído daquela autoridade que somente pode proporcionar os postulados espiritistas, alicerçados na razão e no bom senso: "CARÁTER, VONTADE, SENTIMENTO, INTELIGÊNCIA, CRITÉRIO, RAZÃO, JUSTIÇA, TUDO ISSO SE ACHA NO ESPÍRITO, E SEU DESENVOLVIMENTO DEPENDE DA SITUAÇÃO DO SER. SE ELE É ADIANTADO, TEMO-LO HONESTO, SENHOR DE SUA VONTADE, INCLUNADO AO BEM INTELIGENTE, ÍNTEGRO, ALTRUÍSTA, RACIOCINANTE. SE É ATRASADO, VEMO-LO ODIENTO, VINGATIVO, DESONESTO, FEROZ, EGOÍSTA, INJUSTO, HIPÓCRITA, VICIADO E ATÉ TARADO. É O SER NAS FAIXAS DO DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL". Esse mesmo Espírito que exigiu, desesperado e aflito, que CARL G. JUNG, o brilhante ÊMULO DE FREUD, escrevesse sobre sua existência neste e no outro mundo. O fundador da PSICOLOGIA ANALÍTICA, atentendo às vozes espirituais, elaborou, por ESCRITA AUTOMÁTICA, um notável documento a que deu o título de "SEPTEM SERMONES AD MORTUS" (SETE SERMÕES PARA OS MORTOS". E ele mesmo confessa como se deu o FENÔMENO DE ESCRITA AUTOMÁTICA. "Isso começou a jorrar de mim e no transcorrer de três noites a coisa estava escrita"... |
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Textos publicados:
*Textos extraídos do livro "Dos Raps à Comunicação Instrumental", de Carlos Bernardo Loureiro
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