Allan
Kardec, O Bom Senso Encarnado |
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(Por Carlos Bernardo
Loureiro) |
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| AS EXPERIÊNCIAS PARANORMAIS DE DENIZARD RIVAIL
Em 1855, um seu amigo o Sr. Carlotti, corso, de temperamento ardoroso e enérgico, entusiasta de toda idéia nova, falou-lhe, pela primeira vez, na intervenção dos Espíritos no processo de movimentação da mesa. Ainda incrédulo, Denizard Rivail ouviu do Sr. Carlotti “ – Um dia o senhor será um dos nossos”. Em maio desse mesmo ano, foi convidado às sessões que se realizavam em casa da Sra. Plainemeson, ficando impressionado com os fenômenos incipientes a que ali assistiu. Finalmente, participa das sessões na casa da família Baudin, as quais ele assim descreve:
Foi em casa da família Baudin que Denizard Rivail começou seus estudos. “Foi aí que fiz os meus primeiros estudos em Espiritismo, menos ainda por efeito de revelações, que por observação. Apliquei a essa nova ciência, como até então o tinha feito, o método da experimentação: nunca formulei teorias preconcebidas: observava atentamente, comparava, deduzia as consequências, dos efeitos procurava remontar as causas pela dedução, pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo como valida uma explicação senão quando ela podia resolver todas as dificuldades da questão. Foi assim que procedi sempre em meus trabalhos anteriores, desde a idade de quinze a dezesseis anos. Compreendi desde o princípio a gravidade da experiência que ia empreender. Entreve nesses fenômenos a chave do problema tão controvertido do passado e do futuro, a solução do que eu havia procurado toda a minha vida, era, em uma palavra, uma completa revolução nas idéias e nas crenças: preciso, portanto, se fazia agir com circunspecção e não levianamente, ser positivista e não idealista, para se não deixar arrastar pelas ilusões. “Um dos primeiros resultados das minhas observações foi que os Espíritos, outra coisa não sendo senão as almas dos homens, não tinham nem a soberana sabedoria, nem a soberana ciência: que seu saber limitado ao grau do seu adiantamento, e que sua opinião não possuia senão o valor de uma opinião pessoal. Esta verdade reconhecida desde o começo, evitou-me o grave escolho de crer na sua intabilidade e me preservou de formular teorias prematuras sobre os seus ensinamentos”. ORIGEM DO NOME ALLAN KARDEC Em “VIDA E OBRA DE ALLAN KARDEC” (La Vie et d’Allan Kardec), afirma André Moreil que, certa noite, Zéfiro, Espírito protetor de Denizard Hippolyte-Leon Rivail. Informou havê-lo conhecido numa existência anterior, quando, na época dos druidas, viveram junto nas Gálias. Disse-lhe que o seu nome era, então, Allan Kardec. “a partir desse momento – comenta Moreil – “Denizard Rivail já não existe”. A missão recebida, a título de lider doutrinario de uma ciência ditada pelos Espíritos, obrigaram-no a ‘renascer’ como Allan Kardec. O novo nome lhe parece revestido de valor quase esotérico”. Os druidas eram sacerdotes celtas. Os celtas, povos antiquíssimos, de origem indo-germânica, empreenderam grandes migrações desde os tempos pré-históricos, percorrendo toda a Europa, desde a ilhas Britânicas até a Ásia Menor. Mas, por volta do ano 250 antes do Cristo, quando atingiram o clímax do seu poder, estavam fixados principalmente nas Gálias. Embora sua linguagem e os fundamentos de sua cultura já estivessem estruturados desde sete séculos antes de nossa era, jamais se organizaram politicamente sob qualquer forma de império. Apenas uma poderosa e mística força os unia – a casta sacerdotal, que mantinha íntegros os preceitos religiosos e as riquíssimas tradições do mundo celta. Esses sacerdotes eram os druidas, reverenciados pela tribos, onde quer que fossem, dedicavam-se à Teologia, à Filosofia, à Magistratura. Conduziam todo um povo cujas crenças se fundamentavam na imortalidade da alma e na reencarnação, além de admitir, serenamente, a comunicabilidade com os Espíritos.
O certo é que ao adotar o pseudônimo
de Kardec, o professor Denizard Hippolyre - Leon Rivail deu valioso testemunho
não somente de fé, mas igualmente de humildade, pois seu
nome civil era dos mais ilustres da França. Ele descendia de antiga
e tradicional família, cujos membros brilharam na advocacia e na
magistratura. Foi dos mais destacados discípulos de Pestalozzi
e, depois, conselheiro influente nas reformas de ensino levadas na França
e na Alemanha, Poliglota, dominava, além do franc6es, o alemão,
o italiano, o inglês e o latim. Verteu para o alemão obras
importantes, como as de Fénelon (François de Saalignac de
la Mothe), nascido em 1651 e desencarnado em 1715, destacando-se “TELEMACO”
EPOPÉIA ROMANESCA EM PROSA INSPIRADA NA Odisséia,, de Homero.
Não resta a menor dúvida que o autor de “TRAITE DE
L’EDUCATION DES FILLES” (obra clássica da pedagogia
francesa), exerceu significativa influência sobre Kardec, aprimorando-lhe
o espírito e contribuindo para alcançar, depois, a posição
de liderança de uma doutrina que viria revolucionar o pensamento
político, filosófico e religioso não só de
sua época, mas de épocas posteriores. O PSEUDÔNOMO ALLAN KARDEC, MOTIVO DE INQUIRIÇÃO JUDICIAL Cinco anos após a desencarnação de Allan Kardec, a “Revue Spirite” (então sob a direção de Pierre-Gaetan Leymarie publicou uma série de reportagens sobre FOTOGRAFIA DE ESPÍRITOS, ilustrando-as com fotos de pessoas que posaram para os fotógrafos-médiuns Edouard Buguet e o americano Alfred-Henri Firman. Junto aos retratos, por força da faculdade mediúnica de amboas os profissionais, apareciam vultos, nítidos, de amigos ou parentes falecidos. A Sra. Amélie Bouder, viúva de Allan Kardec, submeteu-se a sessão de fotos, aparecendo, em uma delas a figura inconfundível do Codificador do Espiritismo, ostentando uma mensagem, em francês; com o seguinte teor: “Chese femme: Veillez sur notre médium Buguet: de faux epirites le tracassam en cemoment. Lui seul est le urai. C’est surtout lui qui fera prosperer notre doctrine, Levmarie doit l’aider. Je suis avec vous. Courage et adien, 14 de novembre 74. Allan Kardec.” (Querida esposa: Protegei nosso médium Buguet: falsos espíritas o embaraçam neste momento. Ele só é verdadeiro, e especialmente para desenvolver nossa doutrina. Leymarie deve ajudá-lo. Estou com todos vós. Coragem e adeus. 14 de novembro de 1874. Allan Kardec).
Com a divulgação do fato e da foto na “Revue Spirite”, levantou-se a idéia da fraude, sendo denunciada por um senhor Lomhard, “officer de paix” junto ao gabinete do chefe de polícia. No dia 16 de junho de 1875, quarta-feira, instaurava-se um processo que se tornaria famoso: O “PROCES DES SPIRITES” movido em Paris, pelo Ministério Público, conta Buguet. Firman e Pierre-Gatean Leymarie. Este processo é fruto da intolerância e da prepotência. As próprias autoridades judiciais, contrariando os nobres princípios da justiça, investiram, Desrespeitosos, arbitrários, contra os acusados, como se estivessem frente a frente com cruéis assassinos. Nem sequer a viúva de Allan Kardec, que prestou declaração como testemunha, teve o tratamento devido à sua posição. Do interrogatório a que submetida, constam as seguintes perguntas e respostas, relativas ao pseudônimo do Codificador. Juiz Millet – Afinal,
em que época o Sr. Rivail adotou o nome de Allan Kardec? Juiz Millet – Onde
buscou ele esse nome? Num manual de bruxaria? Juiz Millet – Nós conhecemos a origem dos livros de seu marido; ele se valeu sobretudo de um manual de bruxaria de 1522, de um outro intitulado Alberti ...e de outros. Sra. Rivail – Todos os livros de meu marido foram criados por ele, com a ajuda de médiuns e evocações. Não conheço dos livros a que o Sr. Se refere. Juiz Millet – Nós os conhecemos; o nome Allan Kardec, que seu marido adotou, é o nome de uma grande floresta da Bretanha. A Sra. erigiu a seu esposo um túmulo no Pére-Lachaise e nele colocou nome de Allan Kardec; está convencidA DE QUE ELE FOI TAL? Sra. Rivail – Eu creio que não se deve gracejar sobre isso...não é agradável ver rir de tais coisas. Juiz Millet – Nós não estimamos as pessoas que se apropriam de nomes que não lhe pertencem, escritores que pilham obras antigas, que ludibriam o espírito público. Sra. Rivail – Todos os literatos usam pseudônimo. Meu marido nada pilhou. Juiz Millet – Foi um compilador, não um literato; um homem que fez magia negra ou branca; fique sentada! Em “REFORMADOR” nº 1.772, novembro de 1976, onde se encontra o absurdo diálogo entre o Juiz Millet e a As. Rivail, pinçamos os seguintes comentários: “O que a cega e irreverente malevolência dos acusadores do Codificador sempre fez questão de esquecer é que o uso de pseudônimos sempre foi, é e será comum em toda a parte. Não são apenas os literatos que os utilizam: a prática também é vulgar entre os artistas e até entre os políticos”.
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