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Uma Homenagem a Carlos Bernardo Loureiro
 

Gilberto Santos

No último dia 10 de agosto, a sociedade baiana foi surpreendida com a notícia do falecimento do escritor, professor, advogado e pesquisador Carlos Bernardo Cajazeira Loureiro de Souza, aos 64 anos de idade. Filho do professor e jornalista Antônio Loureiro de Souza e Elza Cajazeira Loureiro de Souza, ele nasceu em 16 de abril de 1942 e desde cedo demonstrou sua inteligência e sede de saber, lendo tudo quanto lhe chegava às mãos, passando a conhecer escritores de nomeada, tais como Machado de Assis, Humberto de Campos, Voltaire, Platão e outros.

Eu o conheci por volta de 1956, quando ele estava com 14 anos de idade. De seu pai herdou o bom gosto pela leitura e estudo das obras profanas que o velho professor conhecia como poucos. Ao despontar sua mediunidade, Carlos Bernardo procurou o presidente do Instituto Espírita da Bahia, Aurelino Mota de Carvalho, iniciando suas atividades no Espiritismo, ao mesmo tempo em que passou a estudar a obra de Allan Kardec e dos grandes escritores espíritas tais como Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano, Léon Denis, Alexandre Aksakof etc, ao mesmo tempo em que procurava meu pai (Alfredo Miguel) para aconselhar-se com ele e discutir pontos que ainda não havia assimilado com segurança. Era um estudioso em profundidade e, em razão disso, partiu para a pesquisa dos grandes fenômenos, tais como a psicometria, pneumatofonia, visão à distância, aparições e tudo quanto lhe despertasse a curiosidade. Para melhor compreensão e aprofundamento das questões, estudou Rhine, Freud e inúmeros pesquisadores.

Seus conhecimentos sobre Espiritismo era amplos e Carlos Bernardo fundou o periódico "Impacto", incumbindo-me de traduzir textos de autores de língua espanhola e confeccionar os meus próprios artigos. A experiência foi positiva, com trabalhadores de várias partes do Brasil e do exterior. Não satisfeito com a divulgação da doutrina pela imprensa, manteve na Rádio Clube AM de Salvador o programa "Conversando sobre Espiritismo". Insatisfeito com os trabalhos de vários centros e médiuns espíritas com os quais contatou, fundou a Sociedade de Cultura Espírita da Bahia (Soceba), na Baixa de Quintas, com a colaboração de Djalma Argollo, Pedro Spinelli, eu e sua dedicadíssima esposa Lúcia Loureiro. Dissolvida a Soceba, criou o Teatro Espírita "Leopoldo Machado", no bairro da Boa Viagem, onde batalhou incansavelmente até seu desaparecimento. Em 1986 desenvolveu suas qualidades de pesquisador no Círculo de Pesquisas "Ambroise Paré", investigando o campo das manifestações psíquicas e mediúnicas, conseguindo uma variada gama de efeitos físicos e materializações de espíritos.

Carlos Bernardo foi representante da ABRAJEE (Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas), na Bahia, deixou 21 livros editados e 16 inéditos, que deverão ser lançados brevemente tão logo sua esposa e filhos terminarem de efetuar a devida revisão. Entre seus irmãos de crença fez muitos amigos e inúmeros indiferentes que o criticavam por não entenderem a sua luta em busca de um Espiritismo racional, comprovado e devidamente assimilado tal como ensinava o mestre Kardec. Nize César, que hoje reside na Espanha, e foi uma de suas beneficiadas em trabalhos mediúnicos, publicou em A TARDE de 18 de agosto último um artigo no qual exaltava seu trabalho dedicado à causa do Espiritismo, destacando o escritor e a realização de pesquisas, palestras e programas na imprensa falada, escrita e televisionada.

Carlos Bernardo Cajazeira Loureiro de Souza foi um exemplo de luta e dedicação à nobre causa espírita. Ao partir, deixou uma grande lacuna no seio da doutrina, somente compensada pela existência do Telma (Teatro Espírita "Leopoldo Machado"), a creche Stella Tarquínio de Souza (que cuida de dezenas de crianças) e cerca de 400 médiuns por ele orientados para a realização das tarefas naquela instituição, uma obra que merece os maiores elogios pelos trabalhos ali desenvolvidos e que ora necessita de maior auxílio de seus simpatizantes e freqüentadores.

Paz e progresso para seu espírito incansável sempre em busca de renovação!

Gilberto Santos é jornalista, articulista e professor


Fonte: Jornal A Tarde de 2 de março de 2007, coluna Gente & Memória

 
 
 
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