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A Serpente e O Vaga-lume
 

Era uma vez uma serpente que vivia na Selva de Pedra. Também, nesta mesma selva, morava um saltitante e performático vaga-lume. Ele esbanjava a sua luz, que ficava em sua traseira, cercado por outros vaga-lumes de luz menos intensa. Incerta noite, a serpente estava à procura de alimentos (para manter-se forte e viril), quando, não mais que de repente, avistou uma luzinha distante. Esta luzinha estava irriquieta, vagando para lá e para cá, para baixo e para cima. A serpente, curiosa, ficou observando aqueles movimentos luminosos sem saber o que estava acontecendo, e começou, serpenteando através dos galhos de pedra, a se aproximar daquela luz que despertava a sua curiosidade. E a serpente (macho) perguntou a si mesmo: “o que é, na verdade, o que estou vendo? Será um pavão? Não, pois pavão não voa. Será uma lanterna? Não, porque a lanterna só funciona se alguém apertar o seu botãozinho”. A serpente ficou em dúvida sobre o que realmente estava vendo. Mas, ao chegar mais perto, verificou que era um vaga-lume. Pensou em engolir o inseto com luz e tudo. E pensou: “pelo menos, vou iluminar o meu plexo solar e vou causar a maior e intrigante impressão em meio às outras serpentes”. Indeciso, o réptil ainda quis observar mais os trejeitos do vaga-lume. Na verdade, ele estava se divertindo. E disse para si mesmo: “como uma serpente como eu, que, segundo Jesus, é o símbolo da prudência, pode engolir um reles vaga-lume? Isso quebra até a minha cadeia alimentar”. A serpente, quando viu que era apenas um bichinho com uma luzinha na retaguarda, deu meia volta e se embrenhou na selva dizendo para si mesmo: “um ser que viveu por algum tempo no paraíso, criado diretamente por Deus, não pode ficar engolindo qualquer serzinho insignificante, mesmo que tenha luz em local duvidoso. Além do mais, quantos anos vive uma serpente? E quanto tempo vive um vaga-lume?”. Tempos depois, a serpente soube que a luz do vaga-lume apagou, e tudo escureceu...

 
 
 
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