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<channel><title><![CDATA[TELMA - Teatro Esp&iacute;rita Leopoldo Machado - Artigos]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos]]></link><description><![CDATA[Artigos]]></description><pubDate>Sun, 12 Apr 2026 09:18:05 -0300</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[Se Kardec voltasse hoje, poderia retomar o Espiritismo e responder as dúvidas do Século 21? Um manifesto pelo restabelecimento da ideia espírita]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/se-kardec-voltasse-hoje]]></link><comments><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/se-kardec-voltasse-hoje#comments]]></comments><pubDate>Mon, 21 Feb 2022 21:18:50 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.telma.org.br/artigos/se-kardec-voltasse-hoje</guid><description><![CDATA[Lucas SampaioPaulo Henrique de FigueiredoJ&uacute;lio Nogueira   Desde o s&eacute;culo passado, duas grandes for&ccedil;as dominam as massas, a religi&atilde;o dogm&aacute;tica e o materialismo. No s&eacute;culo 19, por&eacute;m, Allan Kardec seguiu um terceiro caminho para instituir o Espiritismo. Em 1857, a Fran&ccedil;a ainda vivia as luzes da psicologia espiritualista e do Espiritualismo Racional, por disciplinas que, afastadas do dogma religioso e do materialismo filos&oacute;fico, haviam s [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:right;"><font size="4"><span style="color:#000000; font-weight:400">Lucas Sampaio</span><br /><strong><span style="color:#000000; font-weight:400">Paulo Henrique de Figueiredo</span></strong><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">J&uacute;lio Nogueira</span></font><br /></div>  <span class='imgPusher' style='float:right;height:0px'></span><span style='display: table;width:auto;position:relative;float:right;max-width:100%;;clear:right;margin-top:0px;*margin-top:0px'><a><img src="http://www.telma.org.br/uploads/2/1/8/7/21874604/published/opiniao-303-janeiro-e-fevereiro-2022-page-5.jpg?1645479038" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px; max-width:100%" alt="Imagem" class="galleryImageBorder wsite-image" /></a><span style="display: table-caption; caption-side: bottom; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;" class="wsite-caption"></span></span> <div class="paragraph" style="display:block;"><font size="4"><span style="color:#000000; font-weight:400">Desde o s&eacute;culo passado, duas grandes for&ccedil;as dominam as massas, a religi&atilde;o dogm&aacute;tica e o materialismo. No s&eacute;culo 19, por&eacute;m, Allan Kardec seguiu um terceiro caminho para instituir o Espiritismo. Em 1857, a Fran&ccedil;a ainda vivia as luzes da psicologia espiritualista e do Espiritualismo Racional, por disciplinas que, afastadas do dogma religioso e do materialismo filos&oacute;fico, haviam se estabelecido como conhecimento oficial na Universidade francesa e eram ensinadas nos liceus. Segundo Allan Kardec, foram essas circunst&acirc;ncias extremamente favor&aacute;veis que permitiram que o Espiritismo surgisse como uma ci&ecirc;ncia filos&oacute;fica e fosse t&atilde;o facilmente aceito, sobretudo em sua teoria moral.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Na estat&iacute;stica elaborada por Kardec dez anos depois (RE67), ele constatou que a grande maioria dos esp&iacute;ritas (70%) tinha conhecimento do Espiritualismo Racional e adotava a teoria moral aut&ocirc;noma, ou seja, a de que o ato moral &eacute; consciente, racional e desinteressado. Uma parte menor vinha das religi&otilde;es tradicionais (15%) e do materialismo (15%), mas estavam livres dos dogmas e abertos ao conhecimento. Estes &uacute;ltimos precisavam superar o paradigma moral falso dos castigos e recompensas da heteronomia ou submiss&atilde;o moral. Tendo a refer&ecirc;ncia da autonomia intelecto-moral, os grupos auxiliares na elabora&ccedil;&atilde;o da doutrina, que chegaram a mais de mil, compreenderam a ideia da evolu&ccedil;&atilde;o de todos os esp&iacute;ritos pela responsabilidade de sua livre escolha.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">O pensamento dos esp&iacute;ritos superiores representava a harmonia das leis naturais que rege o universo desde sempre. Dialogando com estes, com o aux&iacute;lio dos grupos, as pesquisas do prof. Rivail visavam refletir essa harmonia por meio de uma s&oacute;lida unidade de princ&iacute;pios, que seria a maior for&ccedil;a do Espiritismo, impedindo os cismas e apontando para a perpetuidade da doutrina. A tr&iacute;plice unidade doutrin&aacute;ria (de princ&iacute;pios, de m&eacute;todo e de organiza&ccedil;&atilde;o) viria a ser um dos temas centrais das viagens esp&iacute;ritas que Kardec realizou a partir de 1860 para conhecer e orientar pessoalmente alguns dos grupos.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Para elaborar uma teoria cuja ess&ecirc;ncia fosse fundamentada nas leis universais, Rivail precisou criar uma metodologia pr&oacute;pria, o que fez de forma conjunta com esp&iacute;ritos superiores. Trata-se da </span><span style="color:#000000; font-weight:400">universalidade do ensino dos esp&iacute;ritos</span><span style="color:#000000; font-weight:400">. Os temas e d&uacute;vidas eram debatidos pelos esp&iacute;ritas, numerosas comunica&ccedil;&otilde;es de diversos esp&iacute;ritos dando suas opini&otilde;es eram recebidas, as v&aacute;rias hip&oacute;teses para cada quest&atilde;o eram apresentadas na Revista Esp&iacute;rita. Quando o tema estava apropriadamente amadurecido, pelas opini&otilde;es dos homens e dos esp&iacute;ritos, e chegada a hora adequada para o entendimento de sua resolu&ccedil;&atilde;o, os esp&iacute;ritos superiores apresentavam universalmente o conceito fundamental, ou seja, comunicando-o por diversos esp&iacute;ritos, por diversos m&eacute;diuns em diferentes grupos. Allan Kardec, ao perceber essa universalidade conceitual sobre o tema, analisava racionalmente a ideia e verificava sua compatibilidade com o n&uacute;cleo da teoria fundamental j&aacute; estabelecida inicialmente desde </span><span style="color:#000000; font-weight:400">O Livro dos Esp&iacute;ritos</span><span style="color:#000000; font-weight:400">. Por esse m&eacute;todo, os conceitos fundamentais ampliavam progressivamente a teoria esp&iacute;rita. Foi a chamada &ldquo;fase de elabora&ccedil;&atilde;o&rdquo; do Espiritismo, na qual esses procedimentos foram conduzidos pessoalmente por Kardec, na Sociedade Parisiense de Estudos Esp&iacute;ritas.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Nessa organiza&ccedil;&atilde;o, voltada para os estudos e pesquisas, n&atilde;o havia qualquer esp&eacute;cie de subordina&ccedil;&atilde;o ou depend&ecirc;ncia a uma inst&acirc;ncia superior de poder. Nem mesmo a Sociedade Parisiense possu&iacute;a qualquer hegemonia sobre os demais grupos, a n&atilde;o ser uma autoridade cient&iacute;fica, moral e filos&oacute;fica. Coerentes com uma proposta cient&iacute;fica e de moral livre (teoria da moral aut&ocirc;noma), a ades&atilde;o aos princ&iacute;pios e a coopera&ccedil;&atilde;o eram sempre volunt&aacute;rias. A esse respeito, explica Kardec que "</span><em><span style="color:#000000; font-weight:400">os esp&iacute;ritas n&atilde;o formam em nenhuma parte um corpo constitu&iacute;do; n&atilde;o s&atilde;o arregimentados em congrega&ccedil;&otilde;es obedecendo a uma palavra de ordem; n&atilde;o h&aacute; entre eles nenhuma filia&ccedil;&atilde;o patente ou secreta; eles sofrem muito simplesmente e individualmente a influ&ecirc;ncia de uma ideia filos&oacute;fica</span></em><span style="color:#000000; font-weight:400">" (RE68).</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Quando a fase inicial, conduzida pioneiramente por Kardec, j&aacute; havia definido a base fundamental da doutrina, era preciso estabelecer uma estrutura permanente. Sendo o Espiritismo uma ci&ecirc;ncia din&acirc;mica e que demanda aprofundamentos e atualiza&ccedil;&otilde;es para manter sua for&ccedil;a, seria essencial uma organiza&ccedil;&atilde;o que garantisse a manuten&ccedil;&atilde;o da unidade e o progresso das pesquisas. Nessa nova fase, sua condu&ccedil;&atilde;o deveria ser coletiva, sendo que a depend&ecirc;ncia exclusiva do fundador foi uma condi&ccedil;&atilde;o apropriada, necess&aacute;ria e inevit&aacute;vel somente na fase inicial. Nesse contexto, os grupos interessados nas quest&otilde;es esp&iacute;ritas, al&eacute;m de compreender a unidade de princ&iacute;pios, tamb&eacute;m precisariam compor essa nova organiza&ccedil;&atilde;o, com maiores responsabilidades.&nbsp;</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Documentos in&eacute;ditos obtidos em Paris e apresentados na obra </span><em><span style="color:#000000; font-weight:400">Nem C&eacute;u nem Inferno - as leis da alma segundo o Espiritismo</span></em><span style="color:#000000; font-weight:400"> </span><span style="color:#000000; font-weight:400">demonstram que Kardec, em seus &uacute;ltimos meses de vida, planejou em detalhes essa organiza&ccedil;&atilde;o, que inauguraria a &ldquo;fase de dire&ccedil;&atilde;o coletiva&rdquo; do Espiritismo. Tratava-se de uma admir&aacute;vel e inovadora estrutura de hierarquia invertida com barreiras &agrave;s ambi&ccedil;&otilde;es pessoais, sem um poder absoluto concentrado nas m&atilde;os de poucos. Haveria um comit&ecirc; central com atividades compartilhadas em grupo e controlado por uma assembleia geral composta por representantes de grupos de todo o mundo, cada um deles em contato com os esp&iacute;ritos dedicados &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da doutrina esp&iacute;rita. A continuidade da elabora&ccedil;&atilde;o da teoria seria atividade coletiva da assembleia, mantendo o m&eacute;todo da universalidade em sua rela&ccedil;&atilde;o com os esp&iacute;ritos. J&aacute; o comit&ecirc; central estaria dedicado a quest&otilde;es administrativas do Espiritismo, e Rivail, em seus planos, pretendia participar apenas como um dos membros do comit&ecirc; e da assembleia.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Nos &uacute;ltimos anos, Kardec j&aacute; preparava essas mudan&ccedil;as, anunciando sua proposta, publicando textos pr&eacute;vios sobre a unidade da organiza&ccedil;&atilde;o na Revista Esp&iacute;rita. A comunidade dos esp&iacute;ritas ansiava esse momento, inclusive fazendo arrecada&ccedil;&otilde;es para sua implanta&ccedil;&atilde;o, ap&oacute;s a transfer&ecirc;ncia da sede da Passagem Sainte-Anne para a Villa S&eacute;gur, onde se instalariam as estruturas do Espiritismo, como o comit&ecirc; central e a assembleia, e a inaugura&ccedil;&atilde;o da livraria e escrit&oacute;rio da Revista Esp&iacute;rita na Rua de Lille.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Infelizmente, todo esse processo foi interrompido pela desencarna&ccedil;&atilde;o do Professor Rivail e por um terr&iacute;vel golpe iniciado por indiv&iacute;duos pr&oacute;ximos a ele, que convenceram sua vi&uacute;va Am&eacute;lie Boudet a abrir m&atilde;o do poder sobre toda a estrutura do Espiritismo (obras da Codifica&ccedil;&atilde;o, Revista Esp&iacute;rita e Livraria Esp&iacute;rita) em favor de uma empresa (a Sociedade An&ocirc;nima da Caixa Geral e Central do Espiritismo), de &iacute;ndole exclusivamente comercial e com estrutura heter&ocirc;noma. Em seguida, contrariando Kardec, a Sociedade Parisiense e os demais grupos, que aguardavam a execu&ccedil;&atilde;o dos planos do fundador, foram afastados da estrutura do Espiritismo, dominada pelos donos da Sociedade An&ocirc;nima. O projeto de dire&ccedil;&atilde;o coletiva do Espiritismo foi totalmente abandonado. Estava quebrada a unidade de organiza&ccedil;&atilde;o coletiva e de m&eacute;todo da universalidade do ensino dos esp&iacute;ritos.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Mais grave ainda foram as adultera&ccedil;&otilde;es nas obras </span><span style="color:#000000; font-weight:400">O C&eacute;u e o Inferno</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> e </span><span style="color:#000000; font-weight:400">A G&ecirc;nese</span><span style="color:#000000; font-weight:400">, al&eacute;m das influ&ecirc;ncias externas na Revista Esp&iacute;rita, que introduziram ideias dogm&aacute;ticas heter&ocirc;nomas, de origem religiosa e materialista, opostas &agrave; moral aut&ocirc;noma pr&oacute;pria da teoria esp&iacute;rita original, resultando numa quebra da unidade de princ&iacute;pios da doutrina, o que ainda hoje prevalece. Al&eacute;m disso, num contexto hist&oacute;rico mundial, o pensamento espiritualista racional foi expulso da Universidade e da cultura por sucessivas investidas pol&iacute;ticas, religiosas e at&eacute; do meio cient&iacute;fico materialista, interessados na manuten&ccedil;&atilde;o das ideias do velho mundo, com foco no interesse econ&ocirc;mico propiciado pela revolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Sob a influ&ecirc;ncia de diversas ideologias e teorias morais, sobretudo religiosas e materialistas, e sem um centro de refer&ecirc;ncia que mantivesse as pesquisas sobre as bases originais da doutrina, o movimento esp&iacute;rita foi se afastando da unidade doutrin&aacute;ria e, por consequ&ecirc;ncia, tamb&eacute;m se fragmentou, vendo surgir diversos cismas e dissid&ecirc;ncias em que geralmente predominam o misticismo, o fanatismo religioso, o ceticismo materialista e rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas baseadas no princ&iacute;pio de autoridade. Mesmo entre os mais instru&iacute;dos, a maioria at&eacute; hoje ignora a import&acirc;ncia das ci&ecirc;ncias filos&oacute;ficas para a compreens&atilde;o do Espiritismo, que delas &eacute; o desenvolvimento</span><span style="color:#000000; font-weight:400">.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Nos &uacute;ltimos anos vem ocorrendo uma recupera&ccedil;&atilde;o sem precedentes da hist&oacute;ria e das ideias esp&iacute;ritas. Descobertas agora todas essas fraudes e reafirmada depois de quinze d&eacute;cadas a teoria moral original, &eacute; natural, entre aqueles que despertam, a vontade de implementar o plano de Kardec para a fase de dire&ccedil;&atilde;o coletiva do Espiritismo e retomar junto aos esp&iacute;ritos o trabalho de pesquisa e produ&ccedil;&atilde;o doutrin&aacute;ria.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Todavia, isso ainda n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, pois, al&eacute;m da quebra dos princ&iacute;pios, vivemos em um momento completamente diferente, formados e mergulhados em valores heter&ocirc;nomos (moral da submiss&atilde;o), de modo que qualquer estrutura ser&aacute; exercida segundo as teorias do velho mundo. Ocorreu tamb&eacute;m um abandono das pr&aacute;ticas medi&uacute;nicas visando a pesquisa conceitual. H&aacute; um longo caminho para a recupera&ccedil;&atilde;o de toda a teoria e a pr&aacute;tica originais que se perderam, como a base espiritualista racional e psicol&oacute;gica, o di&aacute;logo com a diversidade dos esp&iacute;ritos, o debate das hip&oacute;teses entre encarnados e desencarnados, a mediunidade absolutamente desinteressada </span><span style="color:#000000; font-weight:400">etc</span><span style="color:#000000; font-weight:400">.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Diante de todas as recentes descobertas, a tarefa dos esp&iacute;ritas de hoje e das pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es &eacute; a do restabelecimento, que se desenvolver&aacute; pelo processo cient&iacute;fico, de estudos, artigos e debates para recuperar a defini&ccedil;&atilde;o clara dos princ&iacute;pios estabelecidos originalmente, livre de dogmas e desvios. Esse processo precisa ser secundado tamb&eacute;m pela recupera&ccedil;&atilde;o das bases conceituais do Espiritismo, como a psicologia espiritualista, o Espiritualismo Racional e a teoria do magnetismo animal. A mediunidade dever&aacute; ressurgir nos moldes do absoluto desinteresse, pr&oacute;prio do m&eacute;todo esp&iacute;rita. As comunica&ccedil;&otilde;es dever&atilde;o ser concebidas como opini&otilde;es dos esp&iacute;ritos e n&atilde;o a de or&aacute;culos ou profecias. Em seguida, ap&oacute;s a recupera&ccedil;&atilde;o dessas s&iacute;nteses doutrin&aacute;rias, uma ampla divulga&ccedil;&atilde;o poder&aacute; surgir, por meio de obras did&aacute;ticas e de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Essa recupera&ccedil;&atilde;o ser&aacute; universal, pois o Espiritismo trata de um conhecimento que pertence &agrave;s leis da natureza, interessando ao progresso moral da humanidade.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Iniciando pela adequada compreens&atilde;o da ideia de autonomia intelecto-moral, a realiza&ccedil;&atilde;o desse trabalho depender&aacute; de grande abnega&ccedil;&atilde;o de personalidade e do mais absoluto desinteresse pessoal para reunir harmonicamente os diferentes grupos em torno do mesmo ideal. Cada esp&iacute;rita deve perceber-se como pequena pe&ccedil;a de uma enorme engrenagem, diminuindo sua import&acirc;ncia individual, porque o Espiritismo &eacute; maior do que todos n&oacute;s deste planeta, encarnados e desencarnados, sendo o pensamento da humanidade universal, em todos os tempos.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">&Eacute; manifesto que aqueles interessados pelo pensamento revolucion&aacute;rio das ideias esp&iacute;ritas possuem a miss&atilde;o de restabelec&ecirc;-las. E somente a partir da recupera&ccedil;&atilde;o gradual desse conhecimento, fundamentado nas leis naturais, ser&aacute; retomada a uniformidade de entendimento que instaura espontaneamente uma nova postura metodol&oacute;gica, moral e social. Por fim, surgir&aacute; naturalmente uma nova organiza&ccedil;&atilde;o para a pesquisa do Espiritismo. Ser&atilde;o novos tempos, e ent&atilde;o os esp&iacute;ritos superiores poder&atilde;o utilizar essas novas condi&ccedil;&otilde;es para revisitar sua doutrina e comunicar novos princ&iacute;pios. Essa conquista, por&eacute;m, n&atilde;o ser&aacute; de um grupo, mas da humanidade, pois a revolu&ccedil;&atilde;o moral &eacute; um fato natural pelo qual todos os rios, riachos e ribeir&otilde;es do pensamento humano desaguar&atilde;o inevitavelmente no oceano do bem.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:700">Lucas Sampaio</span><span style="color:#000000; font-weight:400">,</span><span style="color:#000000; font-weight:700"> Paulo Henrique de Figueiredo</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> e </span><span style="color:#000000; font-weight:700">J&uacute;lio Nogueira</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> s&atilde;o pesquisadores, escritores e palestrantes esp&iacute;ritas nas cidades de Salvador-BA e S&atilde;o Paulo-SP, tendo trabalhado juntos na obra </span><span style="color:#000000; font-weight:400"><em>Nem C&eacute;u nem Inferno</em>, as leis da alma segundo o Espiritismo</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> (ed. FEAL, 2020).<br /><br />Artigo originalmente publicado no </span><font color="#2a2a2a">Jornal Opini&atilde;o (edi&ccedil;&atilde;o de jan/fev-2022). Acess&iacute;vel pelo link <a href="https://ccepa.org.br/jornais/janeiro-e-fevereiro-2022/" target="_blank">https://ccepa.org.br/jornais/janeiro-e-fevereiro-2022/</a></font></font><br /></div> <hr style="width:100%;clear:both;visibility:hidden;"></hr>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Nem Céu nem inferno – As leis da alma segundo o Espiritismo]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/nem-ceu-nem-inferno-as-leis-da-alma-segundo-o-espiritismo]]></link><comments><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/nem-ceu-nem-inferno-as-leis-da-alma-segundo-o-espiritismo#comments]]></comments><pubDate>Wed, 03 Mar 2021 13:04:42 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.telma.org.br/artigos/nem-ceu-nem-inferno-as-leis-da-alma-segundo-o-espiritismo</guid><description><![CDATA[Por Paulo Henrique de Figueiredo     Depois dos fatos comprovados pelos documentos encontrados por Simoni Privato na Biblioteca e nos Arquivos Nacionais da Fran&ccedil;a demonstrando que a obra A G&ecirc;nese teve uma edi&ccedil;&atilde;o alterada ap&oacute;s a morte do autor, professor Rivail e tamb&eacute;m o livro O C&eacute;u e o Inferno foi adulterado em sua quarta edi&ccedil;&atilde;o pelo mesmo motivo. O advogado e pesquisador Lucas Sampaio, numa pesquisa minuciosa em Paris, encontrou os  [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:right;"><font size="4">Por <strong>Paulo Henrique de Figueiredo</strong></font><br /></div>  <div class="wsite-spacer" style="height:24px;"></div>  <span class='imgPusher' style='float:left;height:0px'></span><span style='display: table;width:auto;position:relative;float:left;max-width:100%;;clear:left;margin-top:0px;*margin-top:0px'><a><img src="http://www.telma.org.br/uploads/2/1/8/7/21874604/nem-ceu-nem-inferno_orig.png" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px; max-width:100%" alt="Imagem" class="galleryImageBorder wsite-image" /></a><span style="display: table-caption; caption-side: bottom; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;" class="wsite-caption"></span></span> <div class="paragraph" style="display:block;"><font size="4">Depois dos fatos comprovados pelos documentos encontrados por Simoni Privato na Biblioteca e nos Arquivos Nacionais da Fran&ccedil;a demonstrando que a obra <em>A G&ecirc;nese</em> teve uma edi&ccedil;&atilde;o alterada ap&oacute;s a morte do autor, professor Rivail e tamb&eacute;m o livro <em>O C&eacute;u e o Inferno</em> foi adulterado em sua quarta edi&ccedil;&atilde;o pelo mesmo motivo. O advogado e pesquisador Lucas Sampaio, numa pesquisa minuciosa em Paris, encontrou os documentos:<br /><br />&ldquo;Como minha primeira meta era buscar os registros da quarta edi&ccedil;&atilde;o de O C&eacute;u e o Inferno, entrei na sequ&ecirc;ncia dos livros de dep&oacute;sito legal do ano de 1869. No primeiro deles, que chegava &agrave; data de desencarna&ccedil;&atilde;o de Kardec (31 de mar&ccedil;o), nada encontrei. Decidi avan&ccedil;ar. Era tanta coisa a ler, com meticulosa aten&ccedil;&atilde;o, que decidi trabalhar sem a obriga&ccedil;&atilde;o de ter sucesso em encontrar todos os documentos. Vi que o importante seria calma, desprendimento e concentra&ccedil;&atilde;o. Depois de seis horas, estava consultando o terceiro livro, n&uacute;mero 124. Eles s&atilde;o numerados sequencialmente desde o n&uacute;mero 1, de 1810, quando Napole&atilde;o instaurou a censura. Foi nesse livro, restando pouco mais de uma hora de trabalho desse primeiro dia, que encontrei o dep&oacute;sito legal n. 5.819, da quarta edi&ccedil;&atilde;o de O C&eacute;u e o Inferno, registrado em 19/7/1869, &agrave; p&aacute;gina 117 do documento F/18(III)/124&rdquo;.<br /><br />O resultado dessa ampla pesquisa est&aacute; relatado na obra <em>Nem C&eacute;u nem inferno &ndash; as leis da alma segundo o Espiritismo, publicado pela editora FEAL.</em> Quando a not&iacute;cia de que a publica&ccedil;&atilde;o da quarta edi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi com Kardec em vida, a <em>Uni&atilde;o esp&iacute;rita francesa e franc&oacute;fona</em> e a <em>Confedera&ccedil;&atilde;o espirita argentina</em>, publicaram imediatamente a vers&atilde;o original da primeira edi&ccedil;&atilde;o da obra respectivamente em franc&ecirc;s e em espanhol. A vers&atilde;o em ingl&ecirc;s e portugu&ecirc;s sair&atilde;o nos pr&oacute;ximos meses. O movimento esp&iacute;rita do mundo inteiro se mobilizou para restabelecer o conte&uacute;do original.<br /><br />Allan Kardec, em trechos retirados, mas agora recuperados depois de 150 anos, diferencia a moral esp&iacute;rita, baseada na lei natural, e a moral das religi&otilde;es ancestrais:<br /><br />&ldquo;Na aus&ecirc;ncia de fatos apropriados para definir sua concep&ccedil;&atilde;o acerca da vida futura, os homens deram curso &agrave; sua imagina&ccedil;&atilde;o e criaram essa diversidade de sistemas de que compartilharam e que compartilham ainda as cren&ccedil;as. A doutrina das penas eternas est&aacute; nesse n&uacute;mero. Esta doutrina teve sua &eacute;poca; hoje ela &eacute; repelida pela raz&atilde;o. Que colocar em seu lugar?&rdquo;<br /><br />O Espiritismo vai deduzir a moral pelo m&eacute;todo cient&iacute;fico, afirma Kardec, por meio dos ensinamentos dos esp&iacute;ritos superiores como tamb&eacute;m pelo di&aacute;logo com milhares de esp&iacute;ritos nas mais diversas situa&ccedil;&otilde;es da vida futura:<br /><br />&ldquo;As leis que da&iacute; decorrem s&atilde;o deduzidas apenas da concord&acirc;ncia dessa imensidade de observa&ccedil;&otilde;es; esse &eacute; o car&aacute;ter essencial e especial da doutrina esp&iacute;rita86. Jamais um princ&iacute;pio geral &eacute; retirado de um fato isolado nem da afirma&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico Esp&iacute;rito, nem do ensinamento dado a um &uacute;nico indiv&iacute;duo, nem de uma opini&atilde;o pessoal&rdquo;.<br /><br />Ou seja, baseados no senso comum, os dogmas foram criados imaginando-se um Deus vingativo, castigando os esp&iacute;ritos por sofrimentos e priva&ccedil;&otilde;es tanto no mundo f&iacute;sico quanto no espiritual. Uma condena&ccedil;&atilde;o eterna para os desobedientes!<br /><br />O Espiritismo demonstra que todos os esp&iacute;ritos s&atilde;o perfect&iacute;veis pelo seu pr&oacute;prio esfor&ccedil;o, desde a primeira encarna&ccedil;&atilde;o humana, simples e ignorante, sem livre arb&iacute;trio nem responsabilidade moral, que s&atilde;o conquistas graduais no esfor&ccedil;o em milhares de vidas. Desse modo, quando compreende o que &eacute; o mal e o bem, surge a responsabilidade pelos atos. Quando o ato &eacute; de acordo com a consci&ecirc;ncia, o sentimento &iacute;ntimo &eacute; de felicidade. Quando faz o mal, sente uma infelicidade, sofrimento moral que s&oacute; acaba quando o esp&iacute;rito supera, de forma consciente, s&eacute;ria e efetiva sua imperfei&ccedil;&atilde;o, retornando sinceramente ao bem, explica Kardec em trechos recuperados da edi&ccedil;&atilde;o original.<br /><br />Na vida futura, n&atilde;o h&aacute; um local destinado a fazer sofrer o esp&iacute;rito culpado, pois a infelicidade &eacute; um sentimento &iacute;ntimo que o acompanha onde for. J&aacute; o esp&iacute;rito que age no bem &eacute; feliz onde estiver. Tudo depende de nossas escolhas, e a felicidade &eacute; o destino inevit&aacute;vel de todas as criaturas. Esse Universo, reunindo mundo f&iacute;sico e espiritual, representa a esperan&ccedil;a para a humanidade. Compreendendo essas leis naturais, podemos compreender nosso destino, e construir um caminho seguro para a paz no mundo. J&aacute; est&aacute; escrito em nosso destino: seremos felizes, pela conquista de nosso esfor&ccedil;o e m&eacute;rito!<br />&nbsp;<br /><strong>Paulo Henrique de Figueiredo </strong>&eacute; autor de obras de sucesso como <em>Mesmer- a Ci&ecirc;ncia Negada do Magnetismo Animal e Revolu&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita- a Teoria Esquecida de Allan Kardec, Autonomia, a hist&oacute;ria jamais contada do Espiritismo e seu mais recente livro Nem C&eacute;u Nem Inferno-As leis da alma segundo o Espiritismo.</em> Al&eacute;m de pesquisador e escritor e palestrante &eacute; comunicador da R&aacute;dio Boa Nova e TV Mundo Maior, emissoras da Funda&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita Andr&eacute; Luiz, nas quais apresenta os programas <em>Livre Pensamento e Revolu&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita</em></font><br /></div> <hr style="width:100%;clear:both;visibility:hidden;"></hr>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Breve exame dos estatutos da FEB]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/breve-exame-dos-estatutos-da-federacao-espirita-brasileira-1883-1924-mudanca-de-orientacao-inicial-inclusao-de-roustaing-so-realizada-na-reforma-estatutaria-de-1917-criacao-de-sistema-de-poder-exclusivista-que-nao-nasce-do-consenso-ent]]></link><comments><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/breve-exame-dos-estatutos-da-federacao-espirita-brasileira-1883-1924-mudanca-de-orientacao-inicial-inclusao-de-roustaing-so-realizada-na-reforma-estatutaria-de-1917-criacao-de-sistema-de-poder-exclusivista-que-nao-nasce-do-consenso-ent#comments]]></comments><pubDate>Mon, 06 Jul 2020 20:31:11 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.telma.org.br/artigos/breve-exame-dos-estatutos-da-federacao-espirita-brasileira-1883-1924-mudanca-de-orientacao-inicial-inclusao-de-roustaing-so-realizada-na-reforma-estatutaria-de-1917-criacao-de-sistema-de-poder-exclusivista-que-nao-nasce-do-consenso-ent</guid><description><![CDATA[BREVE EXAME DOS ESTATUTOS DA FEDERA&Ccedil;&Atilde;O ESP&Iacute;RITA BRASILEIRA (1883-1924). MUDAN&Ccedil;A DE ORIENTA&Ccedil;&Atilde;O INICIAL. INCLUS&Atilde;O DE ROUSTAING S&Oacute; REALIZADA NA REFORMA ESTATUT&Aacute;RIA DE 1917.&nbsp; CRIA&Ccedil;&Atilde;O DE SISTEMA DE PODER EXCLUSIVISTA QUE N&Atilde;O NASCE DO CONSENSO ENTRE AS INSTITUI&Ccedil;&Otilde;ES ESP&Iacute;RITAS, MAS QUE SE PRETENDE IMPOR DE CIMA PARA BAIXO.     Por J&uacute;lio Nogueira   Qualquer pessoa com tempo dispon&iacute;v [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph"><font size="5"><strong>BREVE EXAME DOS ESTATUTOS DA FEDERA&Ccedil;&Atilde;O ESP&Iacute;RITA BRASILEIRA (1883-1924). MUDAN&Ccedil;A DE ORIENTA&Ccedil;&Atilde;O INICIAL. INCLUS&Atilde;O DE ROUSTAING S&Oacute; REALIZADA NA REFORMA ESTATUT&Aacute;RIA DE 1917.&nbsp; CRIA&Ccedil;&Atilde;O DE SISTEMA DE PODER EXCLUSIVISTA QUE N&Atilde;O NASCE DO CONSENSO ENTRE AS INSTITUI&Ccedil;&Otilde;ES ESP&Iacute;RITAS, MAS QUE SE PRETENDE IMPOR DE CIMA PARA BAIXO. </strong></font><br /></div>  <div class="wsite-spacer" style="height:10px;"></div>  <div class="paragraph" style="text-align:right;"><strong><font size="5">Por J&uacute;lio Nogueira</font></strong></div>  <span class='imgPusher' style='float:left;height:0px'></span><span style='display: table;width:auto;position:relative;float:left;max-width:100%;;clear:left;margin-top:0px;*margin-top:0px'><a><img src="http://www.telma.org.br/uploads/2/1/8/7/21874604/estatutos_orig.png" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px; max-width:100%" alt="Imagem" class="galleryImageBorder wsite-image" /></a><span style="display: table-caption; caption-side: bottom; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;" class="wsite-caption"></span></span> <div class="paragraph" style="display:block;"><br /><font size="4">Qualquer pessoa com tempo dispon&iacute;vel e alguma dose de perseveran&ccedil;a poder&aacute; ter acesso aos Estatutos da Federa&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita Brasileira (FEB), e suas altera&ccedil;&otilde;es/reformas, pois eles se encontram arquivados no registro p&uacute;blico do Cart&oacute;rio de T&iacute;tulos e Documentos do Rio de Janeiro, e, tamb&eacute;m, dispon&iacute;veis na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro atrav&eacute;s do arquivo da publica&ccedil;&atilde;o de seus extratos no Di&aacute;rio Oficial e em &ldquo;O Reformador&rdquo;.<br /><br />O exame desses estatutos elaborados pelos fundadores da FEB e aqueles decorrentes das sucessivas reformas sofridas mostra claramente uma mudan&ccedil;a de direcionamento atrav&eacute;s de movimento executado em 03 (tr&ecirc;s) atos: I) eliminar dos Estatutos a necessidade dos estudos das correla&ccedil;&otilde;es entre o Espiritismo e as Ci&ecirc;ncias F&iacute;sicas, Naturais e Morais; II) a determina&ccedil;&atilde;o oficial de dar equival&ecirc;ncia aos estudos das obras de Roustaing &agrave;s de Kardec e III) a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema de poder exclusivista.<br /><br />No momento de funda&ccedil;&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita Brasileira (FEB) esta fez registrar seus estatutos em registro p&uacute;blico, e, tamb&eacute;m, fez publicar um extrato deste em &ldquo;O Reformador&rdquo; de mar&ccedil;o de 1893. Neste instrumento de constitui&ccedil;&atilde;o da FEB, a institui&ccedil;&atilde;o manifesta entre outras quest&otilde;es o desejo de estudar, tamb&eacute;m, as correla&ccedil;&otilde;es entre o Espiritismo e as Ci&ecirc;ncias F&iacute;sicas, Naturais e Morais (art. 2&ordm;, Inc. VIII).<a href="#_ftn1">[1]</a> &nbsp;&Eacute; f&aacute;cil notar que, do ponto de vista administrativo, a FEB se apresenta como mais um centro esp&iacute;rita fundado &agrave;quela &eacute;poca na capital da Rep&uacute;blica, sem qualquer evid&ecirc;ncia de que pretendesse se estruturar como um sistema ou estrutura de poder, ou mesmo como &oacute;rg&atilde;o de c&uacute;pula do Espiritismo no pa&iacute;s, at&eacute; mesmo porque a pr&oacute;pria FEB reconhece a exist&ecirc;ncia de outras institui&ccedil;&otilde;es como ela de representa&ccedil;&otilde;es nacionais (art. 2&ordm;, Inc. IX).<a href="#_ftn2">[2]</a> &Eacute; importante registrar que n&atilde;o h&aacute; qualquer refer&ecirc;ncia a Roustaing nos estatutos de funda&ccedil;&atilde;o da FEB.<br /><br />Ap&oacute;s per&iacute;odo de grande dificuldade financeira, a FEB foi presidida por Bezerra de Menezes de 1895 at&eacute; sua desencarna&ccedil;&atilde;o em 1900, mas no per&iacute;odo de sua presid&ecirc;ncia n&atilde;o houve reforma dos estatutos, ao contr&aacute;rio do que muitos pensam.<br /><br />A 1&ordf; revis&atilde;o do estatuto s&oacute; veio ocorrer em 1901, sob a presid&ecirc;ncia de Leopoldo Cirne, e nesta revis&atilde;o foi abolido o desejo de estudar as correla&ccedil;&otilde;es entre o Espiritismo e as Ci&ecirc;ncias Ps&iacute;quicas, Naturais e Morais, passando a contemplar apenas o estudo das &ldquo;obras fundamentais de Allan Kardec, ou outras subsidi&aacute;rias e complementares&rdquo; (art. 2&ordm;, &sect;1&ordm;).<a href="#_ftn3">[3]</a> Note-se ainda que n&atilde;o h&aacute; no estatuto reformado qualquer refer&ecirc;ncia expressa a Roustaing ou &agrave; necessidade de estudar sua obra, podendo ser ela, quando muito, enquadrada como de natureza subsidi&aacute;ria ou complementar aos estudos realizados. Por outro lado, &eacute; importante destacar que nesse estatuto reformado de 1901 a FEB manifesta o desejo de inserir-se no movimento esp&iacute;rita universal estabelecendo como objetivo atuar junto &agrave;s diversas associa&ccedil;&otilde;es esp&iacute;ritas existentes no Brasil e no exterior (art. 1&ordm;, &sect;2&ordm;) <a href="#_ftn4">[4]</a>, prestando-lhes, sempre que desejarem, o apoio na defesa perante os poderes p&uacute;blicos (art. 3&ordm;)<a href="#_ftn5">[5]</a>, sem, todavia, apresentar qualquer pretens&atilde;o de criar uma estrutura de poder em torno de si.<br /><br />A 2&ordf; revis&atilde;o do estatuto ocorreu em 1905, ainda sob a presid&ecirc;ncia de Leopoldo Cirne, e nessa revis&atilde;o foram mantidos em linhas gerais os mesmos dispositivos da reforma anterior do estatuto de 1901 com acr&eacute;scimos quanto aos esbo&ccedil;os iniciais de uma estrutura&ccedil;&atilde;o de poder. Quanto ao vi&eacute;s doutrin&aacute;rio, continuou a contemplar a necessidade de estudo das obras de Allan Kardec sem men&ccedil;&atilde;o expressa &agrave;s de Roustaing, apenas diferindo do texto que constava dos estatutos da reforma de 1901 quanto &agrave; troca de duas preposi&ccedil;&otilde;es, pois na 1&ordf; revis&atilde;o falava-se em estudar as obras de Allan Kardec <strong><u>ou</u></strong> subsidi&aacute;rias <strong><u>e</u></strong> complementares, mas agora na reforma de 1905 fala da necessidade de contemplar o estudo das &ldquo;obras fundamentais de Allan Kardec <strong><u>e</u></strong> outras subsidi&aacute;rias <strong><u>ou</u></strong> complementares&rdquo; (art. 2&ordm;, &sect;1&ordm;).<a href="#_ftn6">[6]</a> Essa pequena altera&ccedil;&atilde;o pareceria sem sentido se n&atilde;o soub&eacute;ssemos que o ent&atilde;o Vice-Presidente da FEB aquela &eacute;poca &ndash; Aristides Sp&iacute;nola - era um excelente advogado, e por isso entendemos que n&atilde;o se tratava de uma simples corre&ccedil;&atilde;o de texto, mas de uma adequa&ccedil;&atilde;o de rumos para a FEB ser mais bem aceita pelas demais institui&ccedil;&otilde;es esp&iacute;ritas que necessitavam de apoio judicial nos lit&iacute;gios em que se viram envolvidas a partir de 1904. Nesse per&iacute;odo - aproveitando a ocasi&atilde;o em que m&eacute;diuns curadores, receitistas e institui&ccedil;&otilde;es esp&iacute;ritas passarem a responder criminalmente pela realiza&ccedil;&atilde;o de curas violando o ent&atilde;o C&oacute;digo Penal da Rep&uacute;blica e o Regulamento Sanit&aacute;rio &ndash; a FEB coloca-se &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o das outras institui&ccedil;&otilde;es esp&iacute;ritas para apoi&aacute;-las na assist&ecirc;ncia judici&aacute;ria, responsabilizando-se pelos custos de advogados e, em algumas oportunidades, at&eacute; pelas custas judiciais, inclusive, nos Tribunais Superiores que eram localizados na mesma cidade de sua sede, Rio de Janeiro, ent&atilde;o capital da Rep&uacute;blica (art. 3&ordm;)<a href="#_ftn7">[7]</a>. Com essa facilidade e a justificativa da assist&ecirc;ncia judicial, levados a efeito pelo ent&atilde;o vice-presidente e advogado Aristides Sp&iacute;nola, a FEB aproveita a oportunidade das comemora&ccedil;&otilde;es do centen&aacute;rio de nascimento de Allan Kardec em outubro de 1904 para realizar um congresso nacional e lan&ccedil;ar um documento intitulado &ldquo;Bases de Organiza&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita&rdquo;<a href="#_ftn8">[8]</a>, que era na verdade um esbo&ccedil;o inicial de um sistema de estrutura&ccedil;&atilde;o de poder onde ela se responsabilizaria pela cria&ccedil;&atilde;o de bra&ccedil;os estaduais e se colocava como &oacute;rg&atilde;o de c&uacute;pula do Espiritismo no Brasil, fato esse facilmente constatado atrav&eacute;s da leitura de novos dispositivos estatut&aacute;rios ali inseridos, que n&atilde;o encontram paralelo nos estatutos anteriores (arts. 68 a 71).<a href="#_ftn9">[9]</a><br /><br />A 3&ordf; revis&atilde;o do estatuto ocorreu em 1917, sob a presid&ecirc;ncia de Aristides Sp&iacute;nola, quando j&aacute; bastante adiantado o movimento de cria&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o dos bra&ccedil;os da FEB nos estados. Sob a justificativa de se adaptar ao ent&atilde;o rec&eacute;m aprovado C&oacute;digo Civil, foram implementados diversos direcionamentos novos. Nessa revis&atilde;o foi colocado em pr&aacute;tica o movimento no sentido de doutrinariamente ombrear Roustaing a Allan Kardec, bem como o de finalmente legitimar o projeto de estrutura&ccedil;&atilde;o de poder da FEB. Veja-se que, quanto ao vi&eacute;s doutrin&aacute;rio, houve uma guinada significativa e sem precedentes nas revis&otilde;es anteriores, pois houve a equipara&ccedil;&atilde;o de import&acirc;ncia de Allan Kardec a Roustaing, ao se contemplar a necessidade de estudo &ldquo;das obras fundamentais de Allan Kardec, de J. B. Roustaing e outras subsidi&aacute;rias e complementares&rdquo; (art. 2&ordm;, al&iacute;nea &ldquo;a&rdquo;)<a href="#_ftn10">[10]</a>, al&eacute;m do que a FEB constituiu um capital para publicar e divulgar as obras de Kardec e de Roustaing (arts. 62 e 63).<a href="#_ftn11">[11]</a> Mas a joia da coroa estava justamente na inser&ccedil;&atilde;o do Cap&iacute;tulo XVI, tamb&eacute;m sem precedentes nas revis&otilde;es anteriores, denominado de &ldquo;Da Organiza&ccedil;&atilde;o Federativa&rdquo; (art. 109 a 115).<a href="#_ftn12">[12]</a> Nele iremos encontrar a cria&ccedil;&atilde;o de um verdadeiro sistema de poder exclusivista em que a FEB se autointitula a c&uacute;pula do Espiritismo no Brasil e estabelece os meios de se perpetuar nesta situa&ccedil;&atilde;o.<br /><br />A 4&ordf; revis&atilde;o do estatuto ocorreu em 1924, sob a presid&ecirc;ncia de Aristides Sp&iacute;nola, quando j&aacute; totalmente consolidados os bra&ccedil;os da FEB nos Estados. Nele iremos encontrar o desdobramento com detalhamento do sistema de poder exclusivista ent&atilde;o criado pela FEB. Foram preservados os aspectos da reforma anterior e inclu&iacute;dos dispositivos que tiveram por objetivo criar um Regulamento para promover uma revis&atilde;o geral nos atos de ades&atilde;o das federa&ccedil;&otilde;es estaduais e institui&ccedil;&otilde;es esp&iacute;ritas aderentes para cobrar mudan&ccedil;as nos estatutos dos filiados com vistas a sua adequa&ccedil;&atilde;o, sob pena de serem exclu&iacute;das (art. 113 e art. 114).<a href="#_ftn13">[13]</a> Neste estatuto foi instrumentalizada no Cap&iacute;tulo XVII a cria&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;Conselho Federativo&rdquo;. Um &oacute;rg&atilde;o composto pelos membros da Diretoria da FEB e representantes das federa&ccedil;&otilde;es estaduais, sendo a princ&iacute;pio um &oacute;rg&atilde;o consultivo, sem for&ccedil;a vinculativa, mas, se acolhidas as suas proposi&ccedil;&otilde;es por unanimidade em consulta realizada individualmente e posteriormente pela Diretoria da FEB, tais delibera&ccedil;&otilde;es tomam for&ccedil;a vinculativa, passando a FEB a cobrar a sua implementa&ccedil;&atilde;o e eventual mudan&ccedil;a nos estatutos das institui&ccedil;&otilde;es adesas (art. 123, &sect;2&ordm;).<a href="#_ftn14">[14]</a><br /><br />Como &eacute; sabido, dentre as numerosas proposi&ccedil;&otilde;es antidoutrin&aacute;rias, as concep&ccedil;&otilde;es roustanguistas pretendem descaracterizar o Espiritismo atrav&eacute;s de suas bases epistemol&oacute;gicas e &eacute;ticas, afirmando este como uma religi&atilde;o, com dogmas e preceitos m&iacute;sticos, al&eacute;m de apresentar uma teoria moral heter&ocirc;noma, semelhante &agrave; das religi&otilde;es, o que representava um evidente retrocesso, sen&atilde;o um esvaziamento dos princ&iacute;pios esp&iacute;ritas, inclusive no que toca &agrave; sua teoria moral.<br /><br />Portanto, essas revis&otilde;es estatut&aacute;rias realizadas nos primeiros 40 (quarenta) anos da FEB revestem-se de grande gravidade, porque atrav&eacute;s delas foram estabelecidas mudan&ccedil;as significativas do ponto de vista doutrin&aacute;rio, de princ&iacute;pios e de objetivos, em evidente desvirtuamento dos objetivos iniciais insculpidos em seu estatuto original pelos fundadores. Ademais, &eacute; poss&iacute;vel identificar que nesse per&iacute;odo, ap&oacute;s nebulosas delibera&ccedil;&otilde;es, foi implementado um sistema de poder exclusivista, hierarquizado e um tanto autorit&aacute;rio, que n&atilde;o nasceu do consenso entre as institui&ccedil;&otilde;es esp&iacute;ritas - cujas opini&otilde;es foram ignoradas, mas que se pretendeu impor de cima para baixo, com o intuito de produzir no seio do movimento esp&iacute;rita uma hegemonia das ideias contidas na obra de Roustaing em detrimento das ci&ecirc;ncias filos&oacute;ficas, da moral aut&ocirc;noma e do trabalho de Kardec.<br /><br />Posteriormente, outras revis&otilde;es foram realizadas no estatuto da FEB, modificando quest&otilde;es importantes e de grande significado para o Espiritismo no Brasil, mas isso dever&aacute; ser tema de outra abordagem porque foge dos nossos objetivos no momento.<br /><br /><strong>J&uacute;lio Nogueira</strong> &eacute; Presidente do TELMA - Teatro Esp&iacute;rita Leopoldo Machado (Salvador &ndash; BA); Delegado Especial da CEPA &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita Internacional; Advogado; Membro da ABPI &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Propriedade Intelectual e da LIDC &ndash; Ligue Internationale du Droit de la Concurrence</font>.</div> <hr style="width:100%;clear:both;visibility:hidden;"></hr>  <div><div style="height: 20px; overflow: hidden; width: 100%;"></div> <hr class="styled-hr" style="width:100%;"></hr> <div style="height: 20px; overflow: hidden; width: 100%;"></div></div>  <div class="paragraph" style="text-align:justify;"><font size="4"><span>&nbsp;</span><font size="5"><strong>Notas de rodap&eacute;</strong></font><span>&nbsp;</span></font><br /><br /><font size="4"><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref1">[1]</a> &ldquo;Art. 2&ordm;. Nestes intuitos ella poder&aacute;:<br />...<br />VIII &ndash; Constituir-se antes do mais em reuni&atilde;o de estudos com o fim de discriminar as adapta&ccedil;&otilde;es que possa ter o Spiritismo aos v&aacute;rios ramos dos conhecimentos humanos: sciencias physicas, naturaes e moraes.&rdquo;<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref2">[2]</a> &ldquo;IX - Fazer-se presente por um ou mais delegados nas corpora&ccedil;&otilde;es de representa&ccedil;&atilde;o, nacionaes ou estrangeiras.&rdquo;<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref3">[3]</a> &ldquo;Art. 2&ordm;. Na realiza&ccedil;&atilde;o de seu programma, se utilisar&aacute; a Federa&ccedil;&atilde;o dos seguintes meios de ac&ccedil;&atilde;o:<br />...<br />&sect;1&ordm; Para o estudo, theorico e pratico, da doutrina realizar&aacute; sess&otilde;es, nos dias e pelo modo indicados no regimento interno, versando esse estudo sobre as obras fundamentaes de Allan-Kardec, ou outros subsidi&aacute;rios e complementares da revela&ccedil;&atilde;o espirita, tendo em vista a sua progressividade e assegurada a liberdade de discuss&atilde;o&rdquo;.<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref4">[4]</a> &ldquo;Art. 1&ordm; (...)<br />...<br />&sect;2&ordm; Constitui-se, quer entre as associa&ccedil;&otilde;es spiritas do Brazil, quer entre estas e as suas cong&ecirc;neres no estrangeiro, o tra&ccedil;o de uni&atilde;o que estabele&ccedil;a a sua solidariedade, integrando-se no movimento spirita universal (...)&rdquo;.<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref5">[5]</a> &ldquo;Art. 3&ordm;. Para mais effectiva tornar a sua fun&ccedil;&atilde;o como la&ccedil;o entre todas as associa&ccedil;&otilde;es federadas, a Federa&ccedil;&atilde;o lhes prestar&aacute; todo o apoio ao seu alcance, na defesa de seus direitos e prerrogativas, junto dos poderes p&uacute;blicos, sempre que preciso for&rdquo;.<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref6">[6]</a> &ldquo;Art. 2&ordm;. (...)<br />&sect;1&ordm; Para o estudo, theorico e pratico, da doutrina realizar&aacute; sess&otilde;es, nos dias e pelo modo indicados no regimento interno, versando esse estudo sobre as obras fundamentaes de Allan-Kardec <strong><u>e</u></strong> outros subsidi&aacute;rios <strong><u>ou</u></strong> complementares da revela&ccedil;&atilde;o espirita, tendo em vista a sua progressividade e assegurada a liberdade de discuss&atilde;o&rdquo;.(grifamos)<br />&nbsp;<br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref7">[7]</a> SOUZA. Juvanir Borges de. Escor&ccedil;o Hist&oacute;rico da Federa&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita Brasileira - Aspectos Marcantes de Sua Trajet&oacute;ria. 1&ordf; ed., FEB, 1989, p. 17.<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref8">[8]</a> Ob. Cit., p. 17.<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref9">[9]</a> &ldquo;Art. 68. As associa&ccedil;&otilde;es espiritas do Brasil, que desejarem filiar-se &agrave; Federa&ccedil;&atilde;o, dever&atilde;o, no acto de o solicitar, enviar um exemplar dos seus estatutos, ou pelo menos o programma por extenso dos seus trabalhos, afim de, examinados pela directoria, e verificando estarem de acordo com os intuitos da Federa&ccedil;&atilde;o, serem ellas inscriptas, recusando-se, por&eacute;m, a inscrip&ccedil;&atilde;o no caso contrario.<br />Art. 69. Nos Estados, em cujas capitaes existam Centros de propaganda regularmente constitu&iacute;dos, filiados &agrave; Federa&ccedil;&atilde;o, a directoria d&acute;esta poder&aacute; ouvil-os para os effeitos de filia&ccedil;&atilde;o das sociedades existentes no respectivo territ&oacute;rio.&rdquo;<br />&nbsp;<br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref10">[10]</a> &ldquo;Art. 2&ordm;. Para o estudo a que se refere o &sect;1&ordm; do artigo antecedente, a Federa&ccedil;&atilde;o realizar&aacute; duas ordens de sess&otilde;es:<br />A) Doutrin&aacute;rias, nos dias e pelos modos indicados no Regimento interno, versando o estudo sobre as obras fundamentaes de Allan Kardec, de J. B. Roustaing e outras subsidiarias e complementares da revela&ccedil;&atilde;o, tendo-se em vista a sua progressividade.&rdquo;<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref11">[11]</a> &ldquo;Art. 62. A Livraria da Federa&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita Brasileira &eacute; constitu&iacute;da com o capital de trinta e oito contos de reis (38:000$000) representado em dinheiro e effeitos existentes na data dos presentes Estatutos.<br />Art. 63. O capital acima ser&aacute; applicado &agrave; edi&ccedil;&atilde;o por conta pr&oacute;pria e &agrave; compra de livros espiritas, tendo sempre prefer&ecirc;ncia as obras fundamentaes de Allan Kardec e J. B. Roustaing&rdquo;.<br />&nbsp;<br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref12">[12]</a> &ldquo;Art. 109. (...)<br />...<br />&sect;3&ordm;. A representa&ccedil;&atilde;o do Espiritismo no Brasil pela Federa&ccedil;&atilde;o, em todos os actos e solenidades internacionaes (...).&rdquo;<br />&nbsp;<br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref13">[13]</a> &ldquo;Art. 113. Do Regulamento a que se refere o art. 111 constar&atilde;o, al&eacute;m das condi&ccedil;&otilde;es previamente exig&iacute;veis para o acto de adhes&atilde;o, as obriga&ccedil;&otilde;es que as Sociedades assumem com esse acto, os direitos que adquirem e tamb&eacute;m as causas que determinar&atilde;o serem exclu&iacute;das do quadro respectivo e o modo por que se proceder&aacute; &agrave; exclus&atilde;o.<br />&sect; &Uacute;nico. Uma vez posto em vigor o Regulamento, a Diretoria providenciar&aacute; no sentido de uma revis&atilde;o geral das filia&ccedil;&otilde;es at&eacute; ent&atilde;o feitas, para tornal-as todas accordes com as normas aqui estabelecidas.<br />Art. 114. &nbsp;&nbsp;&nbsp;Al&eacute;m dos casos especiais que o Regulamento considerar de exclus&atilde;o, (...). Essa medida se tornar&aacute; effectiva pela f&oacute;rma que o aludido Regulamento determinar.&rdquo;<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref14">[14]</a> &ldquo;Art. 123. (...)<br />...<br />&sect;2&ordm;. A cada uma destas fica, entretanto, livre o adoptar, incluindo-a na sua lei org&acirc;nica, qualquer das conclus&otilde;es votadas pelo Conselho. Cumpre-lhe, por&eacute;m, nesse caso, proceder de acordo com o Regulamento de adhes&atilde;o determinar acerca da reforma dos Estatutos das mesmas Sociedades, ulteriormente ao acto de adhes&atilde;o&rdquo;.<br /><br />Obs: Este artigo teve trechos publicados originalmente no livro Autonomia - a hist&oacute;ria jamais contada do Espiritismo, de Paulo Henrique de Figueiredo</font><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Novos ares para o Espiritismo]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/novos-ares-para-o-espiritismo]]></link><comments><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/novos-ares-para-o-espiritismo#comments]]></comments><pubDate>Tue, 02 Jun 2020 18:49:19 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.telma.org.br/artigos/novos-ares-para-o-espiritismo</guid><description><![CDATA[Por Lucas Sampaio   N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio muito esfor&ccedil;o para se constatar as enormes diferen&ccedil;as existentes entre o Espiritismo na atualidade e aquele do tempo de Allan Kardec. Esp&iacute;ritas mais atentos sentem que, desde que desencarnou o Prof. Rivail, houve um grave desvio de rota que culminou na desfigura&ccedil;&atilde;o e no desvirtuamento da Doutrina e do movimento esp&iacute;rita. Para nossa surpresa, acontecimentos recentes vieram apontar para um novo hori [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:right;"><strong><font size="4">Por Lucas Sampaio</font></strong><br /></div>  <span class='imgPusher' style='float:left;height:0px'></span><span style='display: table;width:auto;position:relative;float:left;max-width:100%;;clear:left;margin-top:0px;*margin-top:0px'><a><img src="http://www.telma.org.br/uploads/2/1/8/7/21874604/published/tempo-bom.jpg?1591125093" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:6px; max-width:100%" alt="Imagem" class="galleryImageBorder wsite-image" /></a><span style="display: table-caption; caption-side: bottom; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;" class="wsite-caption"></span></span> <div class="paragraph" style="display:block;"><font size="4"><br />N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio muito esfor&ccedil;o para se constatar as enormes diferen&ccedil;as existentes entre o Espiritismo na atualidade e aquele do tempo de Allan Kardec. Esp&iacute;ritas mais atentos sentem que, desde que desencarnou o Prof. Rivail, houve um grave desvio de rota que culminou na desfigura&ccedil;&atilde;o e no desvirtuamento da Doutrina e do movimento esp&iacute;rita. Para nossa surpresa, acontecimentos recentes vieram apontar para um novo horizonte, no qual a proposta esp&iacute;rita redescobre seu significado original e reencontra toda sua for&ccedil;a.<br /><br />Marco fundamental desse processo &eacute; a obra Revolu&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita, de Paulo Henrique de Figueiredo, que revela o esquecido contexto cultural em que surgiu o Espiritismo. Tratava-se de um movimento que, dentro da universidade na Fran&ccedil;a, produziu uma psicologia experimental espiritualista e um Espiritualismo Racional que vieram a constituir o pensamento oficial durante a primeira metade do s&eacute;culo XIX naquele pa&iacute;s, favorecendo o surgimento da Doutrina Esp&iacute;rita. Essas denominadas &ldquo;ci&ecirc;ncias filos&oacute;ficas&rdquo;, que afirmavam o Homem como uma alma encarnada, adotavam o que Kardec denominava &ldquo;moral da liberdade&rdquo;, hoje conhecida como &ldquo;moral aut&ocirc;noma&rdquo;.<br /><br />Era uma contraposi&ccedil;&atilde;o aos sistemas de moral heter&ocirc;noma do dogmatismo religioso e do materialismo cient&iacute;fico, que consideram que os atos humanos s&atilde;o determinados exclusivamente por fatores externos, como puni&ccedil;&otilde;es e recompensas, dor e prazer. Atrav&eacute;s dos mil&ecirc;nios, esses sistemas, em suas mais diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es, produziram as estruturas de privil&eacute;gios e domina&ccedil;&atilde;o social atrav&eacute;s da obedi&ecirc;ncia passiva, da competi&ccedil;&atilde;o e do uso da for&ccedil;a, anulando as capacidades do Homem e tornando-o submisso.<br /><br />Por outro, a moral aut&ocirc;noma, levada pelo Espiritismo &agrave;s suas &uacute;ltimas consequ&ecirc;ncias, apresenta o Ser liberto daquelas antigas amarras ao ensinar que cada um traz em si mesmo os elementos de sua pr&oacute;pria felicidade ou infelicidade futura e os meios de adquirir uma e de evitar outra, trabalhando em seu pr&oacute;prio adiantamento. Para o Espiritismo, as faculdades da alma (raz&atilde;o, consci&ecirc;ncia, vontade e livre-arb&iacute;trio) s&atilde;o conquistas evolutivas do Ser que permitem o gradual conhecimento das leis da alma, desde que o Esp&iacute;rito surge, simples e ignorante. Aos poucos, elas permitem ao Homem estabelecer sua responsabilidade, e demonstram-lhe onde est&aacute; seu verdadeiro interesse. Os sofrimentos n&atilde;o s&atilde;o mais compreendidos como castigos, mas como oportunidades de progresso. O ato do dever, livre, volunt&aacute;rio e consciente, &eacute; o meio de conquistar gradualmente a felicidade, e a caridade n&atilde;o &eacute; mais uma palavra vazia.<br /><br />Esses conhecimentos s&atilde;o as verdadeiras pedras de toque que permitir&atilde;o ao esp&iacute;rita n&atilde;o somente compreender melhor diversos ensinamentos dos Esp&iacute;ritos, como tamb&eacute;m entender a efetiva for&ccedil;a da Doutrina no sentido de superar o des&acirc;nimo e promover uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o moral na Humanidade por meio da liberdade e da coopera&ccedil;&atilde;o, sobre as quais se poder&aacute; construir um s&oacute;lido edif&iacute;cio social, em oposi&ccedil;&atilde;o aos falidos sistemas de salva&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de pr&aacute;ticas supersticiosas ou de utopias pol&iacute;ticas.<br /><br />Esse fundamental movimento de restabelecimento da Doutrina ganhou grande impulso com a den&uacute;ncia da adultera&ccedil;&atilde;o de <em>A G&ecirc;nese</em>, de Allan Kardec, pelo inestim&aacute;vel trabalho da diplomata e pesquisadora Simoni Privato Goidanich, na obra <em>O Legado de Allan Kardec</em>. Esse livro, que j&aacute; nasceu um cl&aacute;ssico, teve o m&eacute;rito de combinar, com profundidade, a an&aacute;lise hist&oacute;rica, jur&iacute;dica e doutrin&aacute;ria das quest&otilde;es envolvidas, permitindo que &oacute;rg&atilde;os esp&iacute;ritas no Brasil e em todo o mundo adotassem a edi&ccedil;&atilde;o original de <em>A G&ecirc;nese</em>, com a mensagem da moral aut&ocirc;noma.<br /><br />Enfim, restaurada essa obra tamb&eacute;m no Brasil, a Funda&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita Andr&eacute; Luiz (FEAL) anunciou no mesmo dia o recebimento do famoso acervo de Canuto Abreu contendo centenas de manuscritos originais de Allan Kardec. Esses documentos, que logo ser&atilde;o abertos ao p&uacute;blico atrav&eacute;s de um portal num conv&ecirc;nio com uma universidade federal, permitir&atilde;o aos esp&iacute;ritas n&atilde;o somente descobrir a verdadeira hist&oacute;ria do Espiritismo, como tamb&eacute;m auxiliar no resgate de seus verdadeiros princ&iacute;pios.<br /><br />A atual gera&ccedil;&atilde;o de esp&iacute;ritas &eacute; chamada a integrar esse irresist&iacute;vel movimento progressivo para revisitar e ressignificar antigos conceitos e levantar ainda mais alto a bandeira do Espiritismo, para que todos possam avist&aacute;-la e seguir sua mensagem libertadora!</font><br /></div> <hr style="width:100%;clear:both;visibility:hidden;"></hr>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sobre a 5a edição clandestina de A Gênese de 1869]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/sobre-a-5a-edicao-clandestina-de-a-genese-de-1869]]></link><comments><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/sobre-a-5a-edicao-clandestina-de-a-genese-de-1869#comments]]></comments><pubDate>Mon, 02 Mar 2020 19:08:56 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.telma.org.br/artigos/sobre-a-5a-edicao-clandestina-de-a-genese-de-1869</guid><description><![CDATA[Por Paulo Henrique de Figueiredo    Foi encontrado um exemplar da 5a edi&ccedil;&atilde;o de La Gen&egrave;se, les Miracles et les Pr&eacute;dictions selon le Spiritisme, que possui em sua capa o ano de 1869. Uma relevante descoberta, que est&aacute; relacionada com a quest&atilde;o da adultera&ccedil;&atilde;o da obra em 1872.J&aacute; sab&iacute;amos da exist&ecirc;ncia dessa edi&ccedil;&atilde;o desde o ano passado e passamos a estudar profundamente o contexto desse fato novo. Todavia, seria  [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:right;"><strong><font size="4">Por Paulo Henrique de Figueiredo</font></strong></div>  <div class="wsite-spacer" style="height:14px;"></div>  <div class="paragraph"><font size="4"><span style="color:#000000; font-weight:400">Foi encontrado um exemplar da 5</span><span style="color:#000000; font-weight:400"><span>a</span></span><span style="color:#000000; font-weight:400"> edi&ccedil;&atilde;o de </span><em><span style="color:#000000; font-weight:400">La Gen&egrave;se, les Miracles et les Pr&eacute;dictions selon le Spiritisme</span></em><span style="color:#000000; font-weight:400">, que possui em sua capa o ano de 1869. Uma relevante descoberta, que est&aacute; relacionada com a quest&atilde;o da adultera&ccedil;&atilde;o da obra em 1872.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">J&aacute; sab&iacute;amos da exist&ecirc;ncia dessa edi&ccedil;&atilde;o desde o ano passado e passamos a estudar profundamente o contexto desse fato novo. Todavia, seria imposs&iacute;vel para a Simoni Privato Goidanich citar essa edi&ccedil;&atilde;o em sua obra </span><em><span style="color:#000000; font-weight:400">O Legado de Allan Kardec</span></em><span style="color:#000000; font-weight:400">, quando pesquisou os documentos na Fran&ccedil;a, pois ela &eacute; n&atilde;o s&oacute; uma adultera&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m clandestina! Vamos demonstrar.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Compare a 4</span><span style="color:#000000; font-weight:400"><span>a</span></span><span style="color:#000000; font-weight:400"> edi&ccedil;&atilde;o e a 5</span><span style="color:#000000; font-weight:400"><span>a</span></span><span style="color:#000000; font-weight:400"> edi&ccedil;&atilde;o de </span><em><span style="color:#000000; font-weight:400">A G&ecirc;nese</span></em><span style="color:#000000; font-weight:400">, ambas de 1869. Simplesmente analisando os detalhes das duas capas, j&aacute; se pode deduzir informa&ccedil;&otilde;es importantes.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">O pedido de impress&atilde;o da 4</span><span style="color:#000000; font-weight:400"><span>a</span></span><span style="color:#000000; font-weight:400"> edi&ccedil;&atilde;o foi feito em 4 de fevereiro de 1869. Allan Kardec pediu que fizessem 2.000 exemplares. Todavia, por desencarnar em 31 de mar&ccedil;o, no m&ecirc;s seguinte, n&atilde;o pode anunciar essa reimpress&atilde;o na </span><span style="color:#000000; font-weight:400">Revista Esp&iacute;rita</span><span style="color:#000000; font-weight:400">. Ele morreu antes do estabelecimento da Livraria Esp&iacute;rita, em seu novo endere&ccedil;o. Por isso, indica na capa, como em todos as suas edi&ccedil;&otilde;es: &ldquo;bureau de la Revue Spirite, 59, rue et passage Ste-Anne&rdquo;.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Veja agora a 5</span><span style="color:#000000; font-weight:400"><span>a</span></span><span style="color:#000000; font-weight:400"> edi&ccedil;&atilde;o de 1869 agora encontrada, na capa: &ldquo;Librairie Spirite et des Sciences Psychologiques&rdquo;, em &ldquo;7, rue de Lille&rdquo;. Isso registra que essa edi&ccedil;&atilde;o foi publicada pelos continuadores respons&aacute;veis pela livraria ap&oacute;s a morte de Kardec, ou seja, em data posterior &agrave; sua morte. Assim sendo, n&atilde;o foi publicada por Allan Kardec!</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">E quanto aos documentos legais desta 5</span><span style="color:#000000; font-weight:400"><span>a</span></span><span style="color:#000000; font-weight:400"> edi&ccedil;&atilde;o que confirmariam oficialmente todas as informa&ccedil;&otilde;es sobre ela, existem? N&atilde;o existem. Simplesmente, ap&oacute;s uma pesquisa minuciosa tanto na Biblioteca Nacional quanto nos Arquivos Nacionais da Fran&ccedil;a, empreendidos por mais de uma vez este ano, por pessoas diferentes, confirmam que N&Atilde;O existe nem pedido de impress&atilde;o nem dep&oacute;sito legal. Como se trata de conte&uacute;do novo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; edi&ccedil;&atilde;o original, seria obriga&ccedil;&atilde;o legal fazer tanto o pedido ao Minist&eacute;rio do Interior como depositar um exemplar na Biblioteca. Temerariamente, nada disso foi feito! Trata-se de uma edi&ccedil;&atilde;o clandestina! Poder&iacute;amos at&eacute; dizer, criminosa.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Nada foi noticiado na </span><span style="color:#000000; font-weight:400">Revista Esp&iacute;rita</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> sobre essa nova edi&ccedil;&atilde;o revista, corrigida e aumentada. Nem uma nota. Quando seria fundamental avisar aos esp&iacute;ritas sobre isso! Kardec n&atilde;o o fez, pois foi posterior &agrave; sua morte. Os respons&aacute;veis pela livraria n&atilde;o o fizeram, pois se tratava de uma edi&ccedil;&atilde;o adulterada e clandestina.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">H&aacute; uma men&ccedil;&atilde;o a essa edi&ccedil;&atilde;o clandestina de </span><span style="color:#000000; font-weight:400">A G&ecirc;nese </span><span style="color:#000000; font-weight:400">de 1869. E &eacute; a &uacute;nica. Est&aacute; na refer&ecirc;ncia das obras de Allan Kardec em </span><span style="color:#000000; font-weight:400">Le Livre des M&eacute;diums</span><span style="color:#000000; font-weight:400">, edi&ccedil;&atilde;o 11</span><span style="color:#000000; font-weight:400"><span>a</span></span><span style="color:#000000; font-weight:400">. na contracapa foi grafado: &ldquo; </span><span style="color:#000000; font-weight:400">La Gen&egrave;se, les miracles et les pr&eacute;dictions selon le Spiritisme</span><span style="color:#000000; font-weight:400">, 1 vol., in-12, 5</span><span style="color:#000000; font-weight:400"><span>e</span></span><span style="color:#000000; font-weight:400"> &eacute;dition&rdquo;. Temos a declara&ccedil;&atilde;o do impressor e dep&oacute;sito legal dessa edi&ccedil;&atilde;o de </span><span style="color:#000000; font-weight:400">O Livro dos M&eacute;diuns</span><span style="color:#000000; font-weight:400">: Declara&ccedil;&atilde;o de impressor em 09/07/1869 e dep&oacute;sito legal em 16/07/1869. Ou seja, a &uacute;nica men&ccedil;&atilde;o sobre essa quinta edi&ccedil;&atilde;o clandestina de</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> A G&ecirc;nese</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> de 1869 foi feita somente em julho de 1869, quatro meses ap&oacute;s a morte do professor Rivail. Pelos mesmos respons&aacute;veis por essa edi&ccedil;&atilde;o clandestina de </span><span style="color:#000000; font-weight:400">A G&ecirc;nese</span><span style="color:#000000; font-weight:400">!</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Como essa edi&ccedil;&atilde;o de</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> A G&ecirc;nese</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> de 1869 foi, al&eacute;m de adulterada, tamb&eacute;m clandestina, o que fez Leymarie quando precisava publicar uma edi&ccedil;&atilde;o nova da obra em 1872? Ele Sabia que a 5</span><span style="color:#000000; font-weight:400"><span>a</span></span><span style="color:#000000; font-weight:400"> de 1869 era falsa, pois, tratando-se de um conte&uacute;do novo, teve que fazer um dep&oacute;sito legal em 23/12/1872. Deveria ter declarado tratar-se de uma sexta edi&ccedil;&atilde;o. Revela sua culpa, ao repetir a numera&ccedil;&atilde;o, omitir o ano na capa e publicar essa nova como sendo novamente 5</span><span style="color:#000000; font-weight:400"><span>a</span></span><span style="color:#000000; font-weight:400"> edi&ccedil;&atilde;o!</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">A garantia da autenticidade da obra e de que seu conte&uacute;do de fato espelha a vontade do autor repousa sobre o preenchimento dos requisitos formais de autoriza&ccedil;&atilde;o de impress&atilde;o e do dep&oacute;sito legal. Sem isso, seu conte&uacute;do &eacute; falso, ap&oacute;crifo, segundo a legisla&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca. Algu&eacute;m imagina, por absurdo, que o professor Rivail, t&atilde;o cuidadoso com todos os seus documentos e sem nunca ter incorrido em qualquer ilegalidade em suas publica&ccedil;&otilde;es, faria uma edi&ccedil;&atilde;o sem registro oficial? Portanto ilegal, clandestina e toda modificada? Sem avisar ningu&eacute;m pela</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> Revista Esp&iacute;rita</span><span style="color:#000000; font-weight:400">? Est&aacute; claro que ele pretendia fazer modifica&ccedil;&otilde;es nesse livro segundo os seus manuscritos, mas n&atilde;o o fez at&eacute; a sua morte. Nem foram certamente essas falsas que encontramos nas edi&ccedil;&otilde;es adulteradas.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Conclus&atilde;o: tudo o que a Simoni Privato afirmou em sua obra est&aacute; vigente e intoc&aacute;vel. apenas se acrescenta que a conspira&ccedil;&atilde;o para adulterar a obra de Allan Kardec j&aacute; se iniciou logo ap&oacute;s a sua morte, alguns meses depois, por aqueles, como Desliens, que passariam o bast&atilde;o do desvio para Leymarie desde 1871.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Temos muitas outras informa&ccedil;&otilde;es e documentos sobre o caso. Mas uma investiga&ccedil;&atilde;o adequada deve ser divulgada publicamente somente quando todos os fatos e detalhes est&atilde;o apurados e esclarecidos ao m&aacute;ximo. Uma conclus&atilde;o precipitada serve apenas para causar d&uacute;vidas, pol&ecirc;mica e divis&atilde;o. Nada disso interessa &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o do Espiritismo. Portanto, vamos voltar ao assunto somente daqui a algumas semanas, quando vamos apresentar trabalho completo, como j&aacute; hav&iacute;amos planejado anteriormente.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Esperamos, assim, contribuir com os estudos desta Doutrina libertadora que n&atilde;o nos pertence, mas sim aos esp&iacute;ritos superiores que deram seus ensinamentos. N&oacute;s, esp&iacute;ritas, somos todos estudantes, e devemos divulgar e restabelecer a teoria original de Allan Kardec, com o objetivo de colaborar com a regenera&ccedil;&atilde;o da humanidade. Os tempos est&atilde;o chegados!</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Mar&ccedil;o de 2020.<br /><br />* Paulo Henrique de Figueiredo &eacute; pesquisador e escritor esp&iacute;rita, autor de Mesmer,</span><font color="#2a2a2a"> a ci&ecirc;ncia negada do magnetismo animal; Revolu&ccedil;&atilde;o esp&iacute;rita, a teoria esquecida de Allan Kardec e Autonomia, a hist&oacute;ria jamais contada do Espiritismo<span style="font-weight: 400;"></span></font></font><br /><br /></div>  <div><div style="height:20px;overflow:hidden"></div> <div id='895035115931678790-slideshow'></div> <div style="height:20px;overflow:hidden"></div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/flTB-evdRok?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Alterações realizadas em A Gênese após a sucessão hereditária de Allan Kardec. Depósito Legal e a alteração de conteúdo. Direito Moral e a garantia da integridade da obra]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/alteracoes-realizadas-em-a-genese-apos-a-sucessao-hereditaria-de-allan-kardec-deposito-legal-e-a-alteracao-de-conteudo-direito-moral-e-a-garantia-da-integridade-da-obra]]></link><comments><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/alteracoes-realizadas-em-a-genese-apos-a-sucessao-hereditaria-de-allan-kardec-deposito-legal-e-a-alteracao-de-conteudo-direito-moral-e-a-garantia-da-integridade-da-obra#comments]]></comments><pubDate>Mon, 06 Jan 2020 18:10:01 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.telma.org.br/artigos/alteracoes-realizadas-em-a-genese-apos-a-sucessao-hereditaria-de-allan-kardec-deposito-legal-e-a-alteracao-de-conteudo-direito-moral-e-a-garantia-da-integridade-da-obra</guid><description><![CDATA[&nbsp;J&uacute;lio Nogueira&nbsp;  No ano de 2018 veio &agrave; tona interessante debate sobre altera&ccedil;&otilde;es realizadas na 5&ordf; edi&ccedil;&atilde;o francesa do livro &ldquo;A G&ecirc;nese&rdquo;, obra de Allan Kardec publicada ap&oacute;s sua desencarna&ccedil;&atilde;o no ano de 1872 em Paris, por Pierre-Ga&euml;tan Leymarie.&nbsp;No livro &ldquo;O Legado de Allan Kardec&rdquo;, a pesquisadora Simoni Privato Goidanich demonstra atrav&eacute;s de provas obtidas junto aos Arquivos  [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:right;"><font size="4"><span>&nbsp;</span><strong>J&uacute;lio Nogueira</strong><span>&nbsp;</span></font><br /></div>  <div class="paragraph" style="text-align:justify;"><br /><font size="4">No ano de 2018 veio &agrave; tona interessante debate sobre altera&ccedil;&otilde;es realizadas na 5&ordf; edi&ccedil;&atilde;o francesa do livro &ldquo;A G&ecirc;nese&rdquo;, obra de Allan Kardec publicada ap&oacute;s sua desencarna&ccedil;&atilde;o no ano de 1872 em Paris, por Pierre-Ga&euml;tan Leymarie.<br />&nbsp;<br />No livro &ldquo;O Legado de Allan Kardec&rdquo;, a pesquisadora Simoni Privato Goidanich demonstra atrav&eacute;s de provas obtidas junto aos Arquivos Nacionais da Fran&ccedil;a e na Biblioteca Nacional da Fran&ccedil;a<a href="#_ftn1">[1]</a>, que 03 (tr&ecirc;s) anos ap&oacute;s a desencarna&ccedil;&atilde;o de Allan Kardec, de forma clandestina, sem conhecimento dos esp&iacute;ritas em geral, e at&eacute; mesmo da esposa e &uacute;nica herdeira de Allan Kardec, foram realizadas naquela 5&ordf; edi&ccedil;&atilde;o francesa 282 altera&ccedil;&otilde;es do seu texto inicial.<a href="#_ftn2">[2]</a><br />&nbsp;<br />Colocados tais fatos, h&aacute; interesse em examinar as quest&otilde;es do dep&oacute;sito legal da obra e do direito moral frente ao direito autoral, j&aacute; que ambas quest&otilde;es geram efeitos na situa&ccedil;&atilde;o em discuss&atilde;o.<br />&nbsp;<br />O sistema de dep&oacute;sito legal tem sua origem em Fran&ccedil;a quando, em 1537, o rei Francisco I, atrav&eacute;s da <em>Ordonnance de Montpellier</em>, decretou como expressamente proibida a venda de livros, a todas as impressoras e livreiros do reino, dos quais n&atilde;o tivesse sido entregue ao menos um (01) exemplar &agrave; biblioteca real do Castelo de <em>Blois</em>.<br />&nbsp;<br />A <em>Ordonnance </em>tinha por objetivo tanto a identifica&ccedil;&atilde;o de obras dignas de mem&oacute;ria quanto a conten&ccedil;&atilde;o da dissemina&ccedil;&atilde;o de ideologias protestantes atrav&eacute;s do controle do sistema de impress&otilde;es do reino.<br />&nbsp;<br />A partir do s&eacute;culo XIX, o Decreto Imperial Franc&ecirc;s de 05/02/1810, sob o pretexto de conferir a fun&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; propriedade liter&aacute;ria, reformulou a utiliza&ccedil;&atilde;o do sistema da autoriza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via e dep&oacute;sito legal, respectivamente, como instrumento de controle da impress&atilde;o e da comercializa&ccedil;&atilde;o das obras impressas.<br />&nbsp;<br />Posteriormente, com a implementa&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o de Berna, em 1886, todos os pa&iacute;ses signat&aacute;rios, entre os quais a Fran&ccedil;a e o Brasil, buscaram uma forma mais racional de prote&ccedil;&atilde;o ao direito autoral sem, no entanto, deixar de utilizar o dep&oacute;sito legal para formar um acervo cultural nacional.<br />&nbsp;<br />Na situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica da 1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o francesa do livro A G&ecirc;nese, o tipografo de Allan Kardec providenciou junto ao Minist&eacute;rio do Interior da Fran&ccedil;a a autoriza&ccedil;&atilde;o mediante a declara&ccedil;&atilde;o n&deg; 9460, de 07/10/1867, atrav&eacute;s da qual manifestou a inten&ccedil;&atilde;o de imprimir 3000 exemplares. Como n&atilde;o houve oposi&ccedil;&atilde;o por parte de nenhum dos ministros, foi ent&atilde;o autorizada a sua impress&atilde;o. Foi realizado daquela obra o dep&oacute;sito legal n&deg; 61, de 04/01/1868, dois dias antes que o livro estivesse dispon&iacute;vel para venda.<a href="#_ftn3">[3]</a><br />&nbsp;<br />J&aacute; na 5&ordf;. edi&ccedil;&atilde;o francesa, o tip&oacute;grafo foi encarregado por Pierre-Ga&euml;tan Leymarie para providenciar a citada autoriza&ccedil;&atilde;o mediante declara&ccedil;&atilde;o n&deg; 10769, de 19/12/1872, atrav&eacute;s da qual manifestou a inten&ccedil;&atilde;o de imprimir 2000 exemplares de uma edi&ccedil;&atilde;o que havia sido &ldquo;revista, corrigida e aumentada&rdquo;. Por isso, como o conte&uacute;do da 5&ordf;. edi&ccedil;&atilde;o era diferente daquele da 1&ordf;, 2&ordf;, 3&ordf; e 4&ordf; edi&ccedil;&otilde;es, fez-se necess&aacute;rio realizar um novo registro oficial dessa 5&ordf;. edi&ccedil;&atilde;o do livro A G&ecirc;nese, o que foi feito atrav&eacute;s do dep&oacute;sito legal n&deg; 9181, de 23/12/1872.<a href="#_ftn4">[4]</a><br />&nbsp;<br />Tudo isso evidencia e comprova que, ao ser realizado um novo dep&oacute;sito legal do livro, em 23/12/1872, est&aacute;-se diante de uma obra nova (revisada, corrigida e aumentada), e, portanto, similar, mas, ainda assim, diversa da original.<br />&nbsp;<br />O problema dos mais graves que se imp&otilde;e a esta quest&atilde;o &eacute; que Allan Kardec faleceu em 1869, mas agora se sabe que o requerimento de autoriza&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&atilde;o e dep&oacute;sito legal da obra alterada foi realizado 1872, ou seja, mais de 03 (tr&ecirc;s) anos depois do seu falecimento, quando houve a solicita&ccedil;&atilde;o de autoriza&ccedil;&atilde;o para publica&ccedil;&atilde;o e o dep&oacute;sito legal dessa 5&ordf;. edi&ccedil;&atilde;o francesa do livro A G&ecirc;nese, o que inviabiliza a informa&ccedil;&atilde;o que at&eacute; ent&atilde;o circulava que teria sido Allan Kardec quem supostamente teria solicitado pessoalmente das autoridades p&uacute;blicas francesas a autoriza&ccedil;&atilde;o para a impress&atilde;o e realizado o dep&oacute;sito legal dessa obra modificada.<br />&nbsp;<br />Some-se ainda a esta quest&atilde;o de alta gravidade outro fato relevante, que &eacute; a completa aus&ecirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o na sucess&atilde;o heredit&aacute;ria de Allan Kardec sobre uma suposta autoriza&ccedil;&atilde;o dele para que se fizesse altera&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do no livro A G&ecirc;nese, pois em Fran&ccedil;a, desde aquela &eacute;poca, a altera&ccedil;&atilde;o de uma obra ap&oacute;s a morte do autor s&oacute; poderia ser realizada mediante autoriza&ccedil;&atilde;o expressa deste mesmo autor apurada na sua sucess&atilde;o heredit&aacute;ria.<a href="#_ftn5">[5]</a> No caso examinado n&atilde;o se v&ecirc; no testamento<a href="#_ftn6">[6]</a> ou no invent&aacute;rio<a href="#_ftn7">[7]</a> de Allan Kardec qualquer respaldo jur&iacute;dico, autoriza&ccedil;&atilde;o ou ainda simples men&ccedil;&atilde;o sobre a publica&ccedil;&atilde;o de nova edi&ccedil;&atilde;o de A G&ecirc;nese com revis&otilde;es, corre&ccedil;&otilde;es e altera&ccedil;&otilde;es, at&eacute; mesmo porque em nenhum desses instrumentos sucess&oacute;rios foi evidenciada qualquer instru&ccedil;&atilde;o para que, ap&oacute;s a morte de Allan Kardec, houvesse a publica&ccedil;&atilde;o do livro A G&ecirc;nese revisado, corrigido e aumentado.<br />&nbsp;<br />Portanto, como o falecimento, o testamento e o invent&aacute;rio de Allan Kardec ocorreram antes do pedido de autoriza&ccedil;&atilde;o para publica&ccedil;&atilde;o e o dep&oacute;sito legal da 5&ordf; edi&ccedil;&atilde;o de A G&ecirc;nese, e neles n&atilde;o havia qualquer men&ccedil;&atilde;o de autoriza&ccedil;&atilde;o para publicar obra com revis&otilde;es, corre&ccedil;&otilde;es e altera&ccedil;&otilde;es, &eacute; poss&iacute;vel extrair as seguintes conclus&otilde;es: a) N&atilde;o foi Allan Kardec quem solicitou a autoriza&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&atilde;o e o dep&oacute;sito legal da 5&ordf; edi&ccedil;&atilde;o; b) As altera&ccedil;&otilde;es realizadas em A G&ecirc;nese ap&oacute;s o falecimento de Allan Kardec somente poderiam ser consideradas juridicamente v&aacute;lidas como originadas da vontade deste, se no procedimento sucess&oacute;rio fosse apresentada a autoriza&ccedil;&atilde;o ou indicativo apto a reconhecer estas altera&ccedil;&otilde;es como vontade do autor; c) Na situa&ccedil;&atilde;o examinada n&atilde;o foram apresentados no testamento ou invent&aacute;rio qualquer autoriza&ccedil;&atilde;o ou indicativo que apontasse no sentido de que as altera&ccedil;&otilde;es seriam da vontade de Allan Kardec.<br />&nbsp;<br />Deste modo, resta agora enfrentar o direito moral como garantia da integridade da obra original aplicada mesmo no caso de obras que ca&iacute;ram em dom&iacute;nio p&uacute;blico, como &eacute; o caso do livro A G&ecirc;nese.<br />&nbsp;<br />O direito moral em mat&eacute;ria de direito autoral &eacute; identificado atrav&eacute;s do aspecto da idoneidade do conte&uacute;do da obra ou do artista. A isso se denomina ato de cria&ccedil;&atilde;o ou fato gerador do direito moral, o qual impede qualquer altera&ccedil;&atilde;o &agrave; obra original via acr&eacute;scimo ou supress&atilde;o n&atilde;o autorizada pelo autor, e garante ainda ao autor o direito de ter o seu nome creditado junto a ela. Tem, portanto, duplo objetivo: o de identificar o seu autor e o de levar ao conhecimento do consumidor a cria&ccedil;&atilde;o, tal como por ele concebida, pois somente &eacute; dado ao autor o direito de alterar a sua pr&oacute;pria obra.<br />&nbsp;<br />Portanto, as prerrogativas do direito moral, de respeito e de paternidade subsistem mesmo depois da morte do seu autor, a fim de garantir a preserva&ccedil;&atilde;o da obra contra tentativas de altera&ccedil;&atilde;o, de m&aacute; utiliza&ccedil;&atilde;o ou de supress&atilde;o no nome do autor.<br />&nbsp;<br />Nem aquela presun&ccedil;&atilde;o de que os herdeiros e sucessores do autor sejam as pessoas mais indicadas para velar pelo resguardo da integridade e genuinidade da obra resulta verdadeira, j&aacute; que s&atilde;o bastante numerosos os casos em que aqueles n&atilde;o manifestam a necess&aacute;ria isen&ccedil;&atilde;o de &acirc;nimo, compromisso com o sucedido ou superioridade intelectual indispens&aacute;vel para dar fiel cumprimento &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es do criador da obra, n&atilde;o faltando mesmo os que vejam a&iacute; uma oportunidade para dar vaz&atilde;o a sentimentos de hostilidade, de desrespeito, ou simplesmente concedam primazia &agrave;s suas prefer&ecirc;ncias, nem sempre em harmonia com a inten&ccedil;&atilde;o do falecido.<br />&nbsp;<br />&Eacute; importante fixar que uma legisla&ccedil;&atilde;o ciosa do patrim&ocirc;nio intelectual dos seus jurisdicionados deve proteger o direito moral <em>post</em> <em>mortem</em>, de maneira a garantir a prote&ccedil;&atilde;o das obras sem a vontade ou mesmo contra a vontade dos herdeiros ou cession&aacute;rios, porque a personalidade do autor sobrevive para o direito atrav&eacute;s da obra da qual &eacute; a sua emana&ccedil;&atilde;o. Para realizar a prote&ccedil;&atilde;o das obras mesmo ap&oacute;s a morte do autor foi que o Homem lan&ccedil;ou m&atilde;o do direito moral e encarregou-lhe dessa miss&atilde;o p&oacute;stuma.<br />&nbsp;<br />Reconhece-se ordinariamente que uma obra caiu em dom&iacute;nio p&uacute;blico quando ultrapassado em m&eacute;dia de 50 (cinquenta) a 70 (setenta) anos ap&oacute;s a morte do seu autor, a depender da legisla&ccedil;&atilde;o vigente em um pa&iacute;s.<br />&nbsp;<br />No entanto, ainda assim, no &acirc;mbito internacional, a UNESCO realizou no ano de 1979, em Paris, uma discuss&atilde;o para aplicar no Direito Internacional par&acirc;metros com vistas a preservar o direito moral do autor e o consequente respeito e &agrave; integridade das obras ca&iacute;das em dom&iacute;nio p&uacute;blico, tendo j&aacute; naquela &eacute;poca conclu&iacute;do que: <a href="#_ftn8">[8]</a><br />&nbsp;<br /><em>- </em><em>A e</em><em>xpira&ccedil;&atilde;o do prazo de prote&ccedil;&atilde;o ao direito de autor e, portanto, o fato de que as obras do esp&iacute;rito caiam no dom&iacute;nio p&uacute;blico, n&atilde;o deve ser considerado como licen&ccedil;a para que as obras sejam desfiguradas.</em><br /><em>1 &mdash; com refer&ecirc;ncia ao autor: preserva&ccedil;&atilde;o da paternidade da obra e de sua integridade, os &laquo;condensados&raquo;, adapta&ccedil;&otilde;es ou quaisquer outros tipos de modifica&ccedil;&atilde;o do original, dever&atilde;o ser claramente indicados ao p&uacute;blico;</em><br /><em>2 &mdash; com rela&ccedil;&atilde;o ao p&uacute;blico: preserva&ccedil;&atilde;o de seus direitos de livre acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e, sobretudo, &agrave; informa&ccedil;&atilde;o correta;</em><br /><em>3 &mdash; sobre as futuras gera&ccedil;&otilde;es: no sentido de que lhes seja resguardado o acesso a obras n&atilde;o deturpadas e que, atrav&eacute;s da mensagem cultural aut&ecirc;ntica dos autores do passado, o patrim&ocirc;nio mundial seja protegido.</em><br />&nbsp;<br />Assim, &eacute; aplic&aacute;vel no caso examinado o direito moral como garantia da integridade da obra, mesmo quando se trata de obra submetida a dom&iacute;nio p&uacute;blico, como &eacute; o caso do livro A G&ecirc;nese. No caso, atendendo a este direito, deve ser obstada a circula&ccedil;&atilde;o dos livros A G&ecirc;nese que estejam tomando como base a 5&ordf; edi&ccedil;&atilde;o francesa, e, tamb&eacute;m, as tradu&ccedil;&otilde;es nela baseadas. Sucessivamente, caso n&atilde;o se mostre aplic&aacute;vel essa medida, entendemos que ainda assim &eacute; imprescind&iacute;vel aderir &agrave; recomenda&ccedil;&atilde;o da UNESCO quanto &agrave; transpar&ecirc;ncia e ao direito de informa&ccedil;&atilde;o ao consumidor/leitor, evitando futuros lit&iacute;gios, e para tanto dever&aacute; ser inclu&iacute;da nas obras derivadas da 5&ordf; edi&ccedil;&atilde;o francesa, inclusive nas tradu&ccedil;&otilde;es, a seguinte informa&ccedil;&atilde;o de forma destacada: &ldquo;Obra contendo diversas revis&otilde;es, corre&ccedil;&otilde;es e altera&ccedil;&otilde;es do original realizadas por conta e ordem do Sr. Pierre-Ga&euml;tan Leymaire, no ano de 1872, sem a aprova&ccedil;&atilde;o ou supervis&atilde;o do Sr. Allan Kardec, que a esta &eacute;poca j&aacute; havia falecido&rdquo;.&nbsp;</font><br /><br /><font size="4"><strong>J&uacute;lio Nogueira</strong> &eacute; Presidente do TELMA - Teatro Esp&iacute;rita Leopoldo Machado (Salvador&ndash;BA); Advogado; Membro da ABPI &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Propriedade Intelectual e da LIDC &ndash; Ligue Internationale du Droit de la Concurrence</font>.<br /><br /><a href="#_ftnref1">[1]</a> GOIDANICH, Simoni Privato. O Legado de Allan Kardec, 1&ordf;. ed., USE/CCDPE, 2018, pp. 163/166.<br /><br /><a href="#_ftnref2">[2]</a> Op. Cit., pp. 167/168.<br />&nbsp;<br /><a href="#_ftnref3">[3]</a> Op. Cit., pp. 80/81.<br /><br /><a href="#_ftnref4">[4]</a> Op. Cit., pp. 164/166.<br />&nbsp;<br /><a href="#_ftnref5">[5]</a> MENEZES, Joyceane Bezerra de e Vicente de Paulo Augusto de Oliveira Junior, &ldquo;LIMITES AO DIREITO AUTORAL POST MORTEM&rdquo;, in Revista de Direitos Fundamentais e Democracia, Curitiba, 2012, v. 11, n. 11, p. 415.<br /><br /><a href="#_ftnref6">[6]</a> Op. Cit., pp. 115/117.<br /><br /><a href="#_ftnref7">[7]</a> Op. Cit., pp. 124/125.<br /><br /><a href="#_ftnref8">[8]</a> CHAVES, Ant&ocirc;nio. O Direito Moral ap&oacute;s a Morte do autor. Revista Forense. Rio de Janeiro, v. 298, n. 83, p. 428-429, 1987.<br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Artigos de Bernardo para o Site do Telma]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/artigos-de-bernardo-para-o-site-do-telma]]></link><comments><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/artigos-de-bernardo-para-o-site-do-telma#comments]]></comments><pubDate>Tue, 09 Apr 2019 02:16:57 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.telma.org.br/artigos/artigos-de-bernardo-para-o-site-do-telma</guid><description><![CDATA[ Abaixo disponibilizamos artigos escritos por Carlos Bernardo Loureiro para o site do Teatro Esp&iacute;rita Leopoldo Machado no per&iacute;odo de 2003 a 2006.&nbsp;Esses artigos marcam a fase mais independente, cr&iacute;tica e ir&ocirc;nica do pensamento do polemista, conhecido pela sua capacidade de questionar o senso comum de forma extremamente inteligente.Neles, predominam temas relacionados ao movimento esp&iacute;rita e seus desvios doutrin&aacute;rios, como a autoajuda, o religiosismo et [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<span class='imgPusher' style='float:left;height:0px'></span><span style='display: table;width:348px;position:relative;float:left;max-width:100%;;clear:left;margin-top:0px;*margin-top:0px'><a><img src="http://www.telma.org.br/uploads/2/1/8/7/21874604/published/bernardo-na-secretaria.jpg?1557014436" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px; max-width:100%" alt="Imagem" class="galleryImageBorder wsite-image" /></a><span style="display: table-caption; caption-side: bottom; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;" class="wsite-caption"></span></span> <div class="paragraph" style="display:block;"><font size="4">Abaixo disponibilizamos artigos escritos por Carlos Bernardo Loureiro para o site do Teatro Esp&iacute;rita Leopoldo Machado no per&iacute;odo de 2003 a 2006.&nbsp;</font><br /><br /><font size="4">Esses artigos marcam a fase mais independente, cr&iacute;tica e ir&ocirc;nica do pensamento do polemista, conhecido pela sua capacidade de questionar o senso comum de forma extremamente inteligente.</font><br /><br /><font size="4">Neles, predominam temas relacionados ao movimento esp&iacute;rita e seus desvios doutrin&aacute;rios, como a autoajuda, o religiosismo etc.. Boa leitura!</font></div> <hr style="width:100%;clear:both;visibility:hidden;"></hr>  <div><div style="margin: 10px 0 0 -10px"> <a title="Baixe o arquivo: artigos_bernardo_site_do_telma.pdf" download href="http://www.telma.org.br/uploads/2/1/8/7/21874604/artigos_bernardo_site_do_telma.pdf"><img src="//www.weebly.com/weebly/images/file_icons/pdf.png" width="36" height="36" style="float: right; position: relative; left: 0px; top: 0px; margin: 0 15px 15px 0; border: 0;" /></a><div style="float: right; text-align: right; position: relative;"><table style="font-size: 12px; font-family: tahoma; line-height: .9;"><tr><td colspan="2"><b> artigos_bernardo_site_do_telma.pdf</b></td></tr><tr style="display: none;"><td>File Size:  </td><td>225 kb</td></tr><tr style="display: none;"><td>File Type:  </td><td> pdf</td></tr></table><a title="Baixe o arquivo: artigos_bernardo_site_do_telma.pdf" download href="http://www.telma.org.br/uploads/2/1/8/7/21874604/artigos_bernardo_site_do_telma.pdf" style="font-weight: bold;">Baixar o arquivo</a></div> </div>  <hr style="clear: both; width: 100%; visibility: hidden"></hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Dialética Espírita]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/dialetica-espirita]]></link><comments><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/dialetica-espirita#comments]]></comments><pubDate>Mon, 04 Feb 2019 21:54:48 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.telma.org.br/artigos/dialetica-espirita</guid><description><![CDATA[Por Carlos Bernardo Loureiro    Tudo quanto existe, do &aacute;tomo ao homem, segue uma trajet&oacute;ria que se perde no infinito, observada tanto no passado como no porvir. Essa trajet&oacute;ria, por&eacute;m, tem uma linha progressista ascendente. Isso quer dizer, de conformidade com a dial&eacute;tica esp&iacute;rita, que todas as coisas e seres est&atilde;o em constante transforma&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o ocupam um determinado e prefixado lugar, que marcham para estados melhores, e [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:right;"><strong><font size="3">Por Carlos Bernardo Loureiro</font></strong></div>  <div class="wsite-spacer" style="height:11px;"></div>  <div class="paragraph"><font color="#515151"><font size="4">Tudo quanto existe, do &aacute;tomo ao homem, segue uma trajet&oacute;ria que se perde no infinito, observada tanto no passado como no porvir. Essa trajet&oacute;ria, por&eacute;m, tem uma linha progressista ascendente. Isso quer dizer, de conformidade com a dial&eacute;tica esp&iacute;rita, que todas as coisas e seres est&atilde;o em constante transforma&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o ocupam um determinado e prefixado lugar, que marcham para estados melhores, estados que conquistar&atilde;o no tempo e no espa&ccedil;o. Basta observar-se as pronunciadas diferen&ccedil;as que a Hist&oacute;ria registra, no que se refere &agrave;s plantas, aos animais e aos homens, para que se deduza rapidamente que as formas se v&atilde;o sutilizando, perdendo a casca e a rudeza primitivas, idealizando-se e seguindo sempre para um fim superior que as orienta nesse processo formid&aacute;vel e eterno! Os Esp&iacute;ritos, encarnados ou n&atilde;o, marcham, tamb&eacute;m, para a conquista de planos cada vez melhores e, pela Lei Suprema, lutam constantemente para desenvolverem os germes divinos que aninham em sua ess&ecirc;ncia imortal. Conclui-se, da&iacute;, que a lei de causa e efeito, aplicada ao progresso, n&atilde;o &eacute; fatalista e nada tem que ver com o&nbsp; &ldquo;olho por olho, dente por dente&rdquo;, predicado no passado b&iacute;blico. &Eacute; claro, &eacute; evidente que os seres trazem sua heran&ccedil;a espiritual e que pesa sobre eles um determinismo. Mas, tamb&eacute;m &eacute; certo que os seres voltam para tomar formas, a fim de poderem conquistar novos planos, num batalhar tremendo contra a ignor&acirc;ncia, contra a dor e contra todas as nega&ccedil;&otilde;es da mis&eacute;ria f&iacute;sica e moral. Se as cadeias a que est&atilde;o atadas as a&ccedil;&otilde;es e rea&ccedil;&otilde;es se compusessem de argolas exatamente iguais, constitu&iacute;das de material grosseiro e rude, o processo de evolu&ccedil;&atilde;o careceria de energia estimuladora e progressista. Se tiv&eacute;ssemos que ser v&iacute;timas pelas v&iacute;timas que fizemos em nosso passado palingen&eacute;sico, a Lei de Causalidade teria que criar novos verdugos para o nosso castigo. Esses verdugos, por sua vez, em futuro n&atilde;o muito remoto, teriam que ser v&iacute;timas de outros verdugos... e assim por todo o sempre. Tal encadeamento, por&eacute;m, n&atilde;o condiz com a l&oacute;gica e, o que &eacute; mais grave, n&atilde;o se ajusta &agrave; lei do progresso. N&atilde;o &eacute; absolutamente necess&aacute;rio que cada ato do Esp&iacute;rito origine outro ato an&aacute;logo, nem que cada situa&ccedil;&atilde;o social do passado exija condi&ccedil;&atilde;o oposta. &Eacute; rid&iacute;culo, absurdo e sem o mais elementar racioc&iacute;nio, pensar-se que os pobres de hoje s&atilde;o os ricos de ontem, que o ignorante &eacute; o s&aacute;bio de outrora, que o feio antes foi belo e que o inv&aacute;lido fez abusivo emprego de sua for&ccedil;a f&iacute;sica. A evolu&ccedil;&atilde;o, ao contr&aacute;rio, faz com que cada ato repercuta especialmente no foro &iacute;ntimo de cada criatura, na consci&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo, onde se inscreve, indelevelmente, a Lei Divina. Quando o homem come&ccedil;a a compreender atrav&eacute;s da dor, filha direta da ignor&acirc;ncia, abre-se a seus passos, dialeticamente, o caminho da Sabedoria e se desenvolve, aos poucos, a sua vontade. E enquanto come&ccedil;a o despertar de sua consci&ecirc;ncia, compreende que aquilo que realizou e fez no passado, que tudo quanto serviu, para prejudicar seus semelhantes, pode-se transformar pelo amor, pelo sacrif&iacute;cio e pela virtude; principia, assim, o seu peregrinar pelas estradas da liberta&ccedil;&atilde;o.&nbsp;Constituir-se-&aacute;, ent&atilde;o, o homem em paladino das causas nobres e justas; defende a cultura, estimula a vontade; trabalha e luta pelo melhoramento das condi&ccedil;&otilde;es de vida de seu pr&oacute;ximo; repele os crimes; combate todas as formas de escravid&atilde;o e edifica, dentro de si mesmo, uma personalidade criadora, ao lado de uma moral din&acirc;mica. Seus pensamentos, destarte, despertaram para novas verdades...</font><br /></font><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Ideal Enxerga-se por Clareiras que dão para o Infinito]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/o-ideal-enxerga-se-por-clareiras-que-dao-para-o-infinito]]></link><comments><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/o-ideal-enxerga-se-por-clareiras-que-dao-para-o-infinito#comments]]></comments><pubDate>Mon, 13 Aug 2018 00:59:45 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.telma.org.br/artigos/o-ideal-enxerga-se-por-clareiras-que-dao-para-o-infinito</guid><description><![CDATA[ Por Carlos Bernardo LoureiroN&atilde;o h&aacute; filosofia aut&ecirc;ntica enquanto o Esp&iacute;rito n&atilde;o se dobra sobre si mesmo, a fim de se examinar, afirma Will Durant, provavelmente com o pensamento voltado para o conhece-te a ti mesmo, senten&ccedil;a insculpida no frontisp&iacute;cio do Templo de Apolo, em Atenas, adotada por S&oacute;crates, nascido em Al&oacute;pece, &Aacute;tica, 470 e desencarnado em Atenas, 399 a.C.Antes do fil&oacute;sofo alopecense, por&eacute;m, despontara [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<span class='imgPusher' style='float:left;height:0px'></span><span style='display: table;width:159px;position:relative;float:left;max-width:100%;;clear:left;margin-top:0px;*margin-top:0px'><a><img src="http://www.telma.org.br/uploads/2/1/8/7/21874604/editor/s-crates.jpg?1534122488" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:0; max-width:100%" alt="Imagem" class="galleryImageBorder wsite-image" /></a><span style="display: table-caption; caption-side: bottom; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;" class="wsite-caption"></span></span> <div class="paragraph" style="display:block;"><strong></strong><font size="4">Por</font><strong><font size="4"> Carlos Bernardo Loureiro</font></strong><br /><br /><font size="4">N&atilde;o h&aacute; filosofia aut&ecirc;ntica enquanto o Esp&iacute;rito n&atilde;o se dobra sobre si mesmo, a fim de se examinar, afirma Will Durant, provavelmente com o pensamento voltado para o <strong>conhece-te a ti mesmo</strong>, senten&ccedil;a insculpida no frontisp&iacute;cio do Templo de Apolo, em Atenas, adotada por S&oacute;crates, nascido em Al&oacute;pece, &Aacute;tica, 470 e desencarnado em Atenas, 399 a.C.<br /><br />Antes do fil&oacute;sofo alopecense, por&eacute;m, despontaram pensadores tais como Tales de Mileto, Parm&ecirc;nides e Emp&eacute;docles. Mas, na sua maioria, foram fil&oacute;sofos-f&iacute;sicos. As suas id&eacute;ias, embora brilhantes, prendiam-se &agrave; <em>physis</em>, ou ao mecanismo das leis que regem o mundo mensur&aacute;vel. S&oacute;crates, todavia sugeriu um mergulho alma adentro, na tentativa de se saber que era o homem, sua origem e seu destino. Formulou a respeito hip&oacute;teses e discutiu certezas. E se os homens de sua &eacute;poca discorriam sobre justi&ccedil;a, ele indagava: &ldquo;Que &eacute; isso? Que significam essas palavras abstratas, por meio das quais se explicam, t&atilde;o facilmente, os problemas da vida e da morte? Que entendem voc&ecirc;s de si mesmos?&rdquo;<br /><br />A essas solicita&ccedil;&otilde;es do fil&oacute;sofo, argumentava-se que ele perguntava mais do que respondia, criando perplexidade e confundindo os esp&iacute;ritos. Essas e outras posturas levaram-no a enfrentar, compulsoriamente, mas com serenidade, a morte, que ele julgava a convalescen&ccedil;a da doen&ccedil;a da vida.<br /><br />S&oacute;crates imaginava edificar um Sistema Moral absolutamente independente de doutrinas religiosas que pudesse conduzir os homens (sem idolatria) &agrave; conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica, corol&aacute;rio do progresso &eacute;tico e intelectual. Neste particular, guardadas p&aacute;lidas propor&ccedil;&otilde;es, o pensamento filos&oacute;fico de S&oacute;crates se identifica, eletiva e espiritualmente com o de Jesus. Numa sociedade organizada segundo as postula&ccedil;&otilde;es socr&aacute;ticas, seria restitu&iacute;da ao indiv&iacute;duo a liberdade que lhe fora usurpada pelo Estado. S&oacute;crates entendia que a liberdade &eacute; a consci&ecirc;ncia; &eacute; o pr&oacute;prio homem; &eacute; o princ&iacute;pio divino do existir; &eacute; o &uacute;nico bem, cujo sacrif&iacute;cio, o Estado n&atilde;o pode reclamar. Ela &eacute;, enfim, a express&atilde;o de uma necessidade org&acirc;nica das rela&ccedil;&otilde;es do homem com o homem.<br /><br />Segundo Heinrich Maier, a peculiar grandeza de S&oacute;crates n&atilde;o se pode medir pela pauta de um pensador te&oacute;rico. &Eacute; importante encar&aacute;-lo como o criador de uma atitude humana que definiu o apogeu de uma longa e laboriosa trajet&oacute;ria e liberta&ccedil;&atilde;o moral do homem por si pr&oacute;prio. S&oacute;crates proclama o evangelho do dom&iacute;nio do Homem sobre si mesmo e da <strong>autarquia </strong><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftn1">[1]</a> da personalidade moral.<br /><br />O princ&iacute;pio socr&aacute;tico do dom&iacute;nio interior do Homem tem impl&iacute;cito um novo conceito da liberdade. S&oacute;crates fez da liberdade um problema &eacute;tico, problema desenvolvido com intensidade diferente pelas escolas socr&aacute;ticas. De par com o desenvolvimento do conceito de <strong>dom&iacute;nio de si pr&oacute;prio</strong> (enkratia), vai se formando um novo conceito de liberdade interior <a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftn2">[2]</a>.<br /><br />Considera-se livre o homem que representa a ant&iacute;tese daquele que vive escravo dos seus pr&oacute;prios apetites. Fundamentalmente, portanto, a <strong>autonomia moral</strong> no sentido socr&aacute;tico significa a independ&ecirc;ncia do Homem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; parte animal da sua natureza. Esta autonomia n&atilde;o est&aacute; em contradi&ccedil;&atilde;o com a exist&ecirc;ncia de uma lei c&oacute;smica em que este fen&ocirc;meno moral do dom&iacute;nio do Homem sobre si mesmo se enquadre.<br /><br />Outro conceito relacionado com este &eacute; o da autarquia, a aus&ecirc;ncia da necessidade. &Eacute;, sobretudo em Xenofonte, provavelmente sobre a impress&atilde;o das obras de Ant&iacute;stenes, que este conceito vigora com expressividade. Em contrapartida, este tra&ccedil;o &eacute; menos acentuado em Plat&atilde;o, apesar do que se n&atilde;o pode duvidar da sua autenticidade hist&oacute;rica. Mais tarde desenvolveu-se de prefer&ecirc;ncia na dire&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica p&oacute;s-socr&aacute;tica, onde se constitui em crit&eacute;rio decisivo do verdadeiro fil&oacute;sofo; nem em Plat&atilde;o nem em Arist&oacute;teles, por&eacute;m, este tra&ccedil;o deixa de aparecer na imagem da <strong>eudemonia</strong> <strong>filos&oacute;fica<a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftn3"><strong> [3]</strong></a></strong>.<br /><br />A autarquia do s&aacute;bio fez reviver no plano espiritual um dos tra&ccedil;os fundamentais do antigo her&oacute;i do mito hel&ecirc;nico, representado pela figura de H&eacute;racles nos seus &ldquo;trabalhos&rdquo;, precisamente por ele &ldquo;ajuda a si pr&oacute;prio&rdquo;. A primitiva forma her&oacute;ica deste ideal baseava-se na for&ccedil;a do her&oacute;i, que o fazia sair vencedor da luta contra os poderes inimigos, contra Esp&iacute;ritos malignos, etc.&nbsp; Esta for&ccedil;a converte-se em for&ccedil;a interior, a qual s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com a condi&ccedil;&atilde;o de o Homem limitar os seus desejos e aspira&ccedil;&otilde;es ao que est&aacute; realmente ao alcance de seu poder. O Homem deve aprender a dominar os monstros selvagens dos instintos, dentro de si pr&oacute;prio, dando lugar &agrave; sua espiritualidade.<br /><br />S&oacute;crates estava simplesmente al&eacute;m de seu tempo (e do nosso tempo). A sua vis&atilde;o de exist&ecirc;ncia e de sociedade transcende os limites impostos pelo sistema, e se projeta incorrupt&iacute;vel, no &iacute;ntimo dos mais l&iacute;dimos anseios de Justi&ccedil;a. O fil&oacute;sofo pensava como Esp&iacute;rito e se dirigia a Esp&iacute;ritos; da&iacute; decorriam os conflitos, suscitados pelas suas ideias.<br /><br />Em suma: a mensagem do mestre de Plat&atilde;o &eacute; a representa&ccedil;&atilde;o viva do Ideal. E como afirma Rui (o nosso S&oacute;crates): &ldquo;O Ideal n&atilde;o se define, enxerga-se por clareiras que d&atilde;o para o Infinito!&rdquo;<br />&nbsp;<br />Fonte: Jornal&nbsp; Suplemento Liter&aacute;rio (Agosto de 1996)<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref1">[1]</a> O substantivo autarquia n&atilde;o aparece em Xenofonte. O adjetivo aut&aacute;rquico figura numa passagem da Cirop&eacute;dia e em quatro passagens das Memor&aacute;veis, como sentido filos&oacute;fico de aus&ecirc;ncia de necessidades. Plat&atilde;o menciona a autarquia como parte da perfei&ccedil;&atilde;o e beatitude do cosmo, e em Filebo, como qualidade fundamental do bem.<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref2">[2]</a> Ao investigar todo o desenvolvimento da &eacute;tica filos&oacute;fica dos gregos a partir da socr&aacute;tica, H. Gomperz (<em>Die Lebensauffassung der Griechschen Philosophen und das Ideal der Inneren Freilheit</em>) lan&ccedil;ou meridiana luz sobre a incontest&aacute;vel import&acirc;ncia hist&oacute;rica de id&eacute;ia da liberdade interior e, ao mesmo tempo, contribuiu essencialmente para a compreens&atilde;o do pensamento do grande fil&oacute;sofo.<br /><br /><a href="https://21874604-371907896701532933.preview.editmysite.com/editor/main.php#_ftnref3">[3]</a>&nbsp; Eudemonia filos&oacute;fica: sistema de moral que tem por fim a felicidade do homem.</font><br /></div> <hr style="width:100%;clear:both;visibility:hidden;"></hr>  <div class="paragraph"></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Origem dos Vocábulos “Médium” e “Mediunidade” no Sentido Espírita]]></title><link><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/origem-dos-vocabulos-medium-e-mediunidade-no-sentido-espirita]]></link><comments><![CDATA[http://www.telma.org.br/artigos/origem-dos-vocabulos-medium-e-mediunidade-no-sentido-espirita#comments]]></comments><pubDate>Sat, 24 Feb 2018 12:59:47 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.telma.org.br/artigos/origem-dos-vocabulos-medium-e-mediunidade-no-sentido-espirita</guid><description><![CDATA[Por Lucas Sampaio  Deve-se ao genial pol&iacute;mata sueco Emanuel Swedenborg (1688-1772) o primeiro uso das express&otilde;es &ldquo;m&eacute;dium&rdquo; e &ldquo;mediunidade&rdquo; em sentido mais pr&oacute;ximo ao que lhes empresta o Espiritismo, mas ainda como "subst&acirc;ncia ou meio atrav&eacute;s do qual ocorre um fen&ocirc;meno&rdquo;, segundo informam o Dictionnaire Etymologique des Anglicismes et des Am&eacute;ricanismes[1] de Jean-Paul Kurtz, e o Tr&eacute;sor de La Langue Fran&ccedi [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:right;"><strong><font size="4">Por Lucas Sampaio</font></strong><br /></div>  <div class="paragraph"><font size="4"><br />Deve-se ao genial pol&iacute;mata sueco Emanuel Swedenborg (1688-1772) o primeiro uso das express&otilde;es &ldquo;m&eacute;dium&rdquo; e &ldquo;mediunidade&rdquo; em sentido mais pr&oacute;ximo ao que lhes empresta o Espiritismo, mas ainda como "subst&acirc;ncia ou meio atrav&eacute;s do qual ocorre um fen&ocirc;meno&rdquo;, segundo informam o <em>Dictionnaire Etymologique des Anglicismes et des Am&eacute;ricanismes<a href="#_ftn1"><strong>[1]</strong></a></em> de Jean-Paul Kurtz, e o <em>Tr&eacute;sor de La Langue Fran&ccedil;aise</em><a href="#_ftn2">[2]</a>.<br /><br />Embora seu sistema fosse teol&oacute;gico<a href="#_ftn3">[3]</a>, m&iacute;stico e contivesse equ&iacute;vocos<a href="#_ftn4">[4]</a>, nota-se inicialmente o uso da express&atilde;o a partir de 1749, em diversas tentativas imprecisas de identificar quais seriam os intermedi&aacute;rios (&ldquo;<em>mediums</em>&rdquo; na tradu&ccedil;&atilde;o do latim para o ingl&ecirc;s) entre Deus (ou o divino) e o mundo natural, como, por exemplo, os anjos, a &ldquo;palavra&rdquo; de Deus, os esp&iacute;ritos e o pr&oacute;prio Homem<a href="#_ftn5">[5]</a>.<br /><br />Finalmente, em 1759, ele afirma em sua obra &ldquo;C&eacute;u e Inferno&rdquo;: &ldquo;<em>Deve-se entender que o Homem &eacute; o meio pelo qual o mundo natural e o mundo espiritual est&atilde;o unidos, isto &eacute;, o Homem &eacute; o meio de uni&atilde;o </em>[medium of conjunction]<em>, porque nele h&aacute; um mundo natural e um mundo espiritual; Consequentemente, &agrave; medida que o Homem &eacute; espiritual (e n&atilde;o natural), ele &eacute; o meio de uni&atilde;o (...); Por&eacute;m, al&eacute;m desta </em>media&ccedil;&atilde;o [mediumship] <em>do homem, persiste um influxo divino no mundo e nas coisas humanas, mas n&atilde;o sobre a faculdade racional do homem</em>&rdquo;<a href="#_ftn6">[6]</a> (tradu&ccedil;&atilde;o livre).<br /><br />Apesar dos voc&aacute;bulos referirem-se &agrave; fun&ccedil;&atilde;o do meio e ao ato da media&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o &agrave; denomina&ccedil;&atilde;o subjetiva do medianeiro e seu atributo espec&iacute;fico da mediunidade, &eacute; prov&aacute;vel que palavras inglesas <em>medium </em>(m&eacute;dium) e <em>mediumship </em>(mediunidade) tenham assumindo vulgarmente esses significados a partir da&iacute;, em raz&atilde;o da grande popularidade do trabalho do vidente sueco entre muitos espiritualistas na Europa e na Am&eacute;rica dos s&eacute;culos 18 e 19.<br /><br />Mas foi a partir de 1848, com os eventos com as irm&atilde;s Fox e a organiza&ccedil;&atilde;o do Espiritualismo Moderno, que pessoas capazes de se comunicar com os mortos passaram a ser designadas nos Estados Unidos como m&eacute;diuns, como afirma J. Gordon na sua <em>Encyclopedia of Occultism and Parapsychology<a href="#_ftn7"><strong>[7]</strong></a> </em>e como corrobora a pesquisadora&nbsp;francesa Marion Aubr&eacute;e, acrescentando no <em>Dictionnaire des Faits Religieux<a href="#_ftn8"><strong>[8]</strong></a></em>, que esse termo chegou em Fran&ccedil;a&nbsp;com os seus primeiros divulgadores, por volta de 1852.<br /><br />Diversas comunica&ccedil;&otilde;es relevantes com o nome de Swedenborg foram registradas mais tarde, sempre relacionadas ao surgimento do movimento espiritual racionalista que se viria a implantar: Andrew Jackson Davis (1844), Alphonse Cahagnet (1847) e Allan Kardec (1857). Provavelmente ali se manifestava o pr&oacute;prio, dado o conte&uacute;do e o prop&oacute;sito demonstrados.<br /><br />Swedenborg n&atilde;o foi um pesquisador da mediunidade &ndash; n&atilde;o se propunha a isso &ndash; e parece n&atilde;o ter conhecido outros fen&ocirc;menos medi&uacute;nicos al&eacute;m daqueles que protagonizou. Conforme assinala Carlos Bernardo Loureiro, &ldquo;<em>na verdade, Swedenborg era simplesmente um m&eacute;dium vidente e um escritor intuitivo, como os h&aacute; aos milhares, faculdade que pertence ao rol dos fen&ocirc;menos naturais</em>&rdquo;<a href="#_ftn9">[9]</a>.<br /><br />O suficiente para, com seu grande trabalho, imprimir novo significado ao voc&aacute;bulo e lan&ccedil;ar novas e fecundas luzes sobre o terreno do conhecimento espiritual, preparando-o para descobertas mais consistentes que se avizinhavam.<br /><br />Colaborou Herivelto Carvalho<br /><br /><br /><a href="#_ftnref1">[1]</a> Dictionnaire Etymologique des Anglicismes et des Am&eacute;ricanismes &ndash; Jean-Paul Kurtz - BoD - Books on Demand, vol. 2, 2013<br /><br /><a href="#_ftnref2">[2]</a> Le Tr&eacute;sor de La Langue Fran&ccedil;aise informatis&eacute; &ndash; www.atilf.fr &ndash; consultado em 22/06/2017<br /><br /><a href="#_ftnref3">[3]</a> O conceito swedenborguiano era pr&oacute;ximo &agrave; ideia de &ldquo;dons da gra&ccedil;a&rdquo;<br /><br /><a href="#_ftnref4">[4]</a> Al&eacute;m de seu sistema de correspond&ecirc;ncias n&atilde;o se ter confirmado atrav&eacute;s do m&eacute;todo de Kardec, comunica&ccedil;&otilde;es medi&uacute;nicas com a assinatura de Swedenborg na RE de nov/1859 indicavam que o mesmo o reconheceu como fic&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><a href="#_ftnref5">[5]</a> Arcana Coelestia &ndash; Emanuel Swedenborg, 1749-1756<br /><br /><a href="#_ftnref6">[6]</a> Heaven and Hell &ndash; Emanuel Swedenborg, 1759, trad. do latim para o ingl&ecirc;s por John C. Ager<br /><br /><a href="#_ftnref7">[7]</a> Encyclopedia of Occultism and Parapsychology &ndash; J. Gordon Melton, Gale Group, 2001<br /><br /><a href="#_ftnref8">[8]</a> Dictionnaire des Faits Religieux &ndash; R&eacute;gine Azria e Dani&egrave;le Hervieu-L&eacute;ger, Presses Universitaires de France, 2010<br /><br /><a href="#_ftnref9">[9]</a> Vida e Obra dos Esp&iacute;ritos que assinaram os proleg&ocirc;menos do Livro dos Esp&iacute;ritos &ndash; Carlos Bernardo Loureiro &ndash; Teatro Esp&iacute;rita Leopoldo Machado &ndash; Salvador-BA</font><br /></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>