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Homenagem ao Lançamento
do Livro dos Espíritos

Carlos Bernardo Loureiro
 

A MISSÃO DE KARDEC

A missão de Allan Kardec foi uma das mais nobres e edificantes já levadas a efeito na face da Terra. Não pretendemos desmerecer, em nenhuma hipótese, o legado intelectual, científico e filosófico de outros tantos dignos Espíritos; mas a de Kardec merece especial destaque. Através de seu trabalho incansável e exclusivamente voltado para a codificação dos ensinos dos Espíritos, pôde a Humanidade tomar conhecimento, lógica e, sobretudo, racionalmente, do "outro lado da vida". Até Kardec, este lado era obscuro, embora clareado, aqui e ali, pelas idéias transcendentalizadas de abnegadas criaturas que até pagaram com a vida por pretenderem esclarecer e fazer o povo pensar.

A doutrina ditada pelos Mensageiros do Consolador desvendava grande parte dos mistérios então envoltos pela crosta do misticismo, endurecida através dos séculos. Entretanto, ao invés da Doutrina merecer a consagração geral, sofreu acerbas e infundadas críticas. Preferia-se acreditar na unicidade da existência, a vê-la projetada a um outro plano. E o dogmatismo de escolas jamais arredaria o pé de seus postulados, consagrados, a duras penas, desde épocas imemoriais. Assim, o Homem continuaria a subestimar-se, e subestimar a Inteligência Suprema do Universo, negando - porque lhe ensinaram - a imortalidade pessoal, crendo firmemente que a vida medeia entre o berço e o túmulo. Mas, apesar de tudo, o Espiritismo conseguiu sobrepor-se ao negativismo intransigente, porque sustentado na Verdade, eterna e imutável.

Kardec não teve, como tiveram outros construtores de idéias, a projeção que lhe seria devida no Panteão da História. Não se lhe ergueram estátuas; não lhe concederam títulos nem em vida, nem postumamente; seu nome não figura, com realce, nas antologias dos maiores vultos da Humanidade, e o espaço que lhe atribuíram nas Enciclopédias é restrito. Todavia, o Codificador realmente jamais pretendeu receber dos homens quaisquer recompensas pelo que realizou. E o que realizou, feria os brios dos portentosos intelectuais (e ainda fere) que viam na Doutrina Espírita um libelo às suas acadêmicas concepções materialistas. Daí, o ostracismo a que se viu relegado por esses círculos cultos e radicais.

Contudo, as multidões anônimas dos humildes, dos sofredores, dos desesperados e aflitos, a quem a Ciência, do alto de sua sabedoria, nunca pôde consolar, justificando-lhes as vicissitudes morais e materiais, têm nos corações e nas consciências o nome de Allan Kardec, associada à máxima do "AMOR AO PRÓXIMO". Eis aí, certamente, a maior homenagem que lhe poderia prestar, conquanto abstrata, porém efetiva e duradoura, muito mais duradoura que o próprio bronze das estátuas, sujeitas à inclemência do tempo n´alguma praça pública e à indiferença dos transeuntes...

 
 
 
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